Vavá, um craque que não pode ser esquecido no futebol de Paramirim

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Vavá, um craque que não pode ser esquecido no futebol de Paramirim

Se a galeria dos desportistas de Paramirim fosse criada, muitos nela teriam lugar especial, como atleta ou como colaborador. Dentre os que se destacaram no futebol, não poderia em hipótese alguma, faltar o nome de Valdemar Rodrigues da Mata, mais conhecido por Vavá.

Nasceu em Paramirim em 22 de outubro de 1929. Ainda jovem, emigrou-se com os pais João Rodrigues da Mata e Dona Maria Rosa da Conceição para o interior de São Paulo, onde passou a residir com mais nove irmãos na região de Votuporanga.

Nem é preciso dizer que ali aprendeu a jogar futebol. O interior de São Paulo sempre foi um celeiro de craques e como tal ofereceu ao jovem paramirinhense a oportunidade de correr atrás da bola, trabalhando semanalmente nas fazendas de café e, nos finais de semana, fazendo o que mais gostava de fazer: vestir a camisa do seu time, entrar em campo e exibir a arte do seu aprendizado, como titular absoluto da posição na qual sempre jogou.

Na praia denominada Cabeça de Área, Vavá se sentia dono do pedaço ou melhor comandava o show. Técnica e preparo físico não lhe faltavam. Chutava com os dois pés, corria e cabeceava fortemente, dando conta do recado com disciplina e domínio de bola. Pertenceu à época em que as posições dentro de campo ainda recebiam a nomenclatura original do inglês, pais de origem do football. Foi do tempo em que se falava offside, corner, back, goal, center four e o locutor era denominado de speaker.

Como amador, jogou em várias cidades do interior paulista, como Fernandópolis, Votuporanga, Jales, Turmalina, Estrela do Esta e outras, fazendo amizade e se tornando conhecido por onde passava pela sua conduta de jogador disciplinado e dono de um excelente futebol.

No início da década de cinquenta, volta a Paramirim com os pais e mais quatro irmãos. Casa-se em 07 de julho de 1954 com Ednair Silva, sua prima carnal, filha de Antônio Belarmino da Silva e Anna Rita da Silva procriando uma prole de nove filhos, dentre os quais os gêmeos Joel e Josué, este último, um convicto corintiano desde os tempos de criança.

No decorrer dos anos cinquenta e sessenta, no mais tardar setenta, Paramirim vive a época de ouro do seu futebol e a história desse esporte na terra do “Rio Pequeno”, nesse período, não pode ser contada sem o concurso daqueles que marcaram presença em campo, vestindo as cores do Social ou do América, a exemplo de Neguinho, Vavá, Antônio Araújo, Osman, Nô de Seu Hermelino, Péricles, Vazinho de Leobino Antônio de Olídio, Arnaldo de Cazuza, Zé Meira e tantos outros que por mérito suaram a camisa para alegria dos paramirinhense que cultivam a vocação futebolística.

Vavá, repito, em hipótese alguma, poderia deixar de figurar na galeria dos imortais de Paramirim, pela gama de atributos de excelentes qualidades que possuía. Ajudou a defender as cores da seleção local por dezenas de vezes jogando contra os mais vigorosos plantéis da região, a exemplo da Magnezita, Brumado, Macaúbas e Caetité, no tempo em que o esporte era mantido pelos próprios jogadores, sem nenhuma conotação política.

Depois de viver uma boa temporada em Paramirim, onde consolidou a maior parte de sua família, muda-se para Monte Azul, Minas Gerais, e no final da década de sessenta retorna a São Paulo, se fixando-se em Bauru, onde faleceu cercado de uma numerosa prole em 04 de junho de 2006 com 77 anos deixando como legado exemplos de condutas dignificantes.

Em resumo, não poderia ser outra a história desse craque, que embora pouco conhecido das gerações atuais, nem por isso deve ser esquecido. Dele pode se dizer que serviu à sua terra natal do modo que pôde servir através do esporte, fazendo o que mais gostava de fazer e da melhor forma possível, jogando futebol, alegrando a torcida, suando a camisa, conquistando vitórias. Sobre ele, não temos outras palavras senão dizer que foi um craque, um atleta amador, um jogador de futebol, que muito merece estar na galeria dos desportistas de Paramirim por mérito de suas qualidades.

Toninho, Joel e Josué, três irmãos, filhos do mesmo craque, o mesmo sangue correndo nas veias, a mesma paixão pelo futebol, divididos entre si em  três escudos diferentes.  Essa é a paixão do brasileiro. Não  importa a classe social. Futebol tem essas coisas.  De forma diferente, não teria graça!
Uma bela lembrança para o dia dos pais.

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