Uma lição para ser copiada

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A catarinense Ana Pieri, 13, foi eliminada do reality show da TV Globo The Voice Kids, a menina de Santa Catarina cantou “Quem de nós dois”, da cantora brasileira Ana Carolina.

Os dez minutos que na tarde de hoje passei vendo o programa The Voice Kids, da Rede Globo de Televisão, ficarão eternamente gravados na minha mente não só pelas músicas e os seus interpretes, mas sobretudo pelo que ouvi de um de seus apresentadores, da dupla Victor e Leo (não me lembro qual dos dois).

Acredito que outros telespectadores por este Brasil a fora que também viram e ouviram as suas colocações devem ter tirado a mesma conclusão que tirei, porque trata-se de uma lição para muita gente e, mais do que isso, um princípio que poucos sabem levar em consideração na hora de se tomar uma decisão ou de expressar uma opinião quando solicitados para tal.

Tudo aconteceu quando uma das concorrentes mirins, após exibir o seu talento musical, foi eliminada por ter um concorrente com uma interpretação julgada melhor. Ao retornar ao palco para os agradecimentos finais, através de emocionantes palavras, disse a cantora “ agradeço primeiramente a Deus por ter me concedido essa faculdade de cantar e a todos aqueles que votaram em mim ( na minha pessoa ). ”

Um dos cantores da dupla, não sei se o Victor ou o Leo, corroborando a sua fala fez a seguinte colocação:

“É preciso entender que os votos e aplausos que você recebeu não foram dirigidos a sua pessoa, mas à qualidade do trabalho que você apresentou. ”Continuou o apresentador: “o que aqui está em jogo ou em julgamento não é a pessoa do candidato, mas todo o conjunto dos elementos presentes na sua interpretação, principalmente o seu talento, a sua vocação, o seu trabalho. E você soube mostrar, embora eliminada, a sua voz, o seu dom, o seu mérito.”

Nem é preciso dizer que dessa forma deveria ser a lógica de julgamento de quaisquer competições, sejam elas individuais ou coletivas. O que se deve levar em consideração diante de uma proposta, seja qual for, é a qualidade do trabalho a ser apresentado ou os objetivos propostos. Não é o físico, as feições, o passado ou o presente que está em avaliação, mas a síntese do seu ideal, do seu olhar, de sua reflexão, do seu conhecimento e do seu agir para melhor desempenho de uma representação.

Infelizmente esta não é a ótica ou o foco da grande maioria. A avaliação meritória escapa à percepção, ao controle e à execução da opinião pública. A política, por exemplo, é o setor, onde mais se plasma essa digressão. A proposta de um trabalho descente, as diretrizes de um proceder pautado na competência, nas convicções, nas virtudes de um candidato bem-intencionado e verdadeiramente qualificado se achatam sob o peso da demagogia e da corrupção eleitoral.
Fico, pois, feliz em saber que as lições de vida não estão nas mais das vezes na sala de aula, nos compêndios educacionais, nos conteúdos refinados das palestras, mas nos locais e nos momentos mais improváveis. Basta para isso, estarmos abertos para a sua absorção, o seu entendimento. Mesmo no meio da escuridão da noite, por mais tenebrosa que ela seja, somos capazes de encontrar uma saída, desde que estejamos preparados para procurá-la.

Assim aconteceu no The Voice nesta tarde de domingo, de 06 de março de 2016 a lição proferida pelo Victor ou o Leo, não importa, deveria nortear a conduta de muita gente que conheço, que na maioria das vezes julgam as pessoas, quando na realidade o que se acha em pauta é o seu trabalho, o projeto por ela delineado, enfim, o que ela propõe à sociedade.

Fiquei e estou feliz, porque alguém disse o que eu sempre julguei correto. Falta agora você fazer a sua parte. Se pelo menos alguém entendeu a essência dessa mensagem, já é alguma coisa. Àqueles que têm nas mãos o poder de avaliar, dedico estas considerações, reiterando que os seus atos sejam pautados no princípio do merecimento ou do mérito de cada candidato, seja na música, na política, no campo profissional, em qualquer eventualidade da vida.

Parabenizo, pois, a dupla mineira pela retidão das palavras proferidas, muito bom seria que na pratica as mesmas prevalecessem. Somente assim, poderíamos eliminar muitas injustiças cometidas por aí a fora.

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