Sua majestade, o cafezinho, homenagem ao dia dos trabalhadores

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Sua majestade, o cafezinho, homenagem ao Dia dos Trabalhadores

Nesta data consagrada ao Dia do Trabalho, quero homenagear através desta modesta crônica os trabalhadores do Brasil pelo valor de cada um e a contribuição de todos no imenso universo do nosso cotidiano. Ninguém seria capaz de sobreviver, não fosse a indispensável colaboração de nossos semelhantes, principalmente das classes trabalhadoras, que em diferentes profissões ou ocupações, promovem a sustentabilidade dos diferentes segmentos da sociedade.

Costumo dizer que na escala zoológica o homem é o mais perfeito dos animais pela multiplicidade dos atributos que integram a sua constituição psicossomática. Porém, quando nasce é um ser incompleto, inacabado. Não poderia sobreviver sem a ajuda dos seus semelhantes. Para começo de conversa, não seria ele capaz de cortar o seu próprio cordão umbilical nem promover os benditos cuidados tão indispensáveis ao recém-nascido, da higiene à alimentação.

Desde esse primeiro grande momento já se percebe o concurso de infinitas atividades para satisfazer as suas necessidades, das mais simples às mais prementes. Aquele cotonete, aquele colírio, aquelas fraldas, aquele berço, nas suas essências, representa o esforço conjunto de milhares de pessoas, de milhares de trabalhadores para torná-los concretos e reais.

Quando o pupilo de Platão afirmou que o homem nasceu para viver na sociedade é por que ele sabia das suas necessidades, das suas limitações, da importância recíproca do seu convívio em diferentes grupos sociais. Às vezes nos sentimos tomados pelo egoísmo, achando que não dependemos de ninguém, que somos para autossuficientes para seguirmos em frente. Engano puro. Cada um de nós no contexto social constitui o elo de uma imensa corrente e sem os demais somos imensamente enfraquecidos.

É nesse contexto que sobressai a grande importância do trabalho e da participação do trabalhador na vida social. O viver em grupos não se restringe apenas em auferir os benefícios que a vida em conjunto nos oferece, mas sobretudo na contribuição recíproca que assiste a todos e que nos obriga a ser elementos ativos de um conjunto maior. Essa interação ou troca de benefícios e responsabilidades evidencia a extrema necessidade do trabalho qualificado, do valor de cada profissão e do concurso de diferentes atividades.

Diante de tudo isso, imaginem o cafezinho que nos chega à mesa. Parece simples. No mais das vezes, atentamos apenas para o seu aroma, para o seu sabor, a qualidade e a beleza dos diferentes recipientes nos quais é servido, se é que assim pensamos. Não fosse o trabalho diferenciado de um infinito número de profissionais e operários ele não chegaria às nossas mãos. Ninguém é capaz de imaginar o itinerário que os seus ingredientes percorrem para chegarem até nós. Por onde passam, de onde vêm. Parece simples, banal, mas não é. Tentem traçar a sua trajetória. Com certeza, ela não se esbarra apenas na cozinha, no fogão, na tranquilidade do lar, no estabelecimento comercial, no campo, na fábrica de equipamentos, na lavoura. Existe um sem número de operações para que aquele simples cafezinho chegue até à mesa de todos nós.

Um cafezinho não é tão somente um cafezinho. Embora servido às vezes num simples copo descartável ou numa sofisticada xícara de porcelana, temperado com rapadura, açúcar ou o recomendável adoçante, pela imensidão da mão-de-obra usada para satisfazer o nosso prazer de toma-lo, o dito cujo deveria ser chamado de Sua Majestade, o Cafezinho. Tê-lo à mesa já é uma vitória incontestável, levado aos lábios um gesto solene, saboreá-lo, um prazer insubstituível. Seja na mesa de um Chefe de Estado, no balcão de uma movimentada padaria, seja na mesa de refeições de um ambiente familiar, seja onde for, todo cafezinho sempre tem a sua razão de ser. Não importa sua conotação, o seu momento, as etiquetas no servi-lo, por predileção ou por habito inveterado, para ele eu tiro o meu chapéu e até bato continência se for preciso.

Eis pois a razão do título e do conteúdo dessa singela crônica, escrita especialmente para homenagear todos os trabalhadores do Brasil e do além-fronteiras pela passagem do seu dia, pela importância e o significado do labor de cada um, pelo valor de todos os profissionais e obreiros na construção da sociedade. Pelo profissionalismo daqueles que buscam o aperfeiçoamento, pelos sacrifícios de muitos que enfrentando condições as mais adversas derramam o seu suor, pondo em risco a sua própria vida para manter com dignidade a sustentação de sua família. Não importa as formalidades, a você trabalhador rural ou urbano, profissional ou principiante, homem ou mulher, jovem ou adulto, parabenizo o seu dia dizendo você é o esteio da sociedade.

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