Será que os opostos se atraem mesmo de verdade?

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Será que os opostos se atraem mesmo de verdade?

Será que para construirmos, temos que destruir, como se o mundo fosse tão somente um composto físico facilmente recuperável?

Será que para propagarmos a paz temos mesmo que disseminar o ódio, como se a ira pudesse arrefecer os ânimos dos que não sabem o que é a concórdia?

Será que o dando é que se recebe assemelha-se essencialmente ao toma lá, dá cá, como se ambos expressassem o mesmo conceito de generosidade?

Será que para edificarmos a dignidade que pregamos, temos que enxovalhar o nosso próximo com as palavras mais severas de nossa indignação?

Será que o respeito que almejamos para nós mesmos e nossos amigos tem que ser moldurado no desrespeito que tachamos de forma pública e notória os nossos inimigos?

Será que amigos e inimigos, adeptos e adversários foram teoricamente concebidos, por Deus e o diabo respectivamente como se a matéria prima de cada um procedesse de fontes diferentes?

Será que para educar a sociedade e propagar os valores essenciais que compõem a natureza humana, temos que descer aos porões da ignomínia de nossos objetivos?

Será que os bons são apenas os que te bajulam e maus são os que te advertem ou criticam os seus grosseiros erros nutridos pelo achismo de suas desvairadas concepções?

Será que o ódio e o amor são duas linhas que nunca se encontram e se encontrassem deixariam de ser paralelas. Será que maldade e bondade podem conviver harmoniosamente no coração do homem? Será que as tuas ofensas ajudam construir o mundo? Ou será que o mundo é apenas o teu ego?

O grande mico da humanidade é pregar a concórdia espalhando o rancor, é divulgar uma imagem trágica ou sinistra para tentar ensinar a alguém praticar o bem. O tempo é o grande prontuário da vida. Nele tudo se registra. Faltam apenas bons leitores para decodificar suas anotações. Os amores de ontem, de repente se transformam em ódios, os arranhões viram carícias e a pobre mente humana se transforma numa precária oficina onde se processa as sucatas deixadas ao longo dos caminhos para transformá-las em peças valiosas de um o imaginário museu.

O bem genuinamente bem no campo das concepções materialistas não existe e o mal por si só nunca se estampará se não estiver associado a inglória ação do homem. A máscara do bom e do ruim não é simplesmente um disfarce para esconder a realidade de cada rosto. É preciso rever a velha teoria de que os opostos se atraem. Em se tratando de atitudes e de palavras tudo é instável. O ser humano muda a cada momento numa vertiginosa linha de crescimento ou de regressão moral.

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