Repaginando o tempo com Antônio Luiz Cardoso Tanajura

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2025
Repaginando o tempo com Antônio Luiz Cardoso Tanajura

Essa de enviar e receber mensagens pela net já virou rotina na vida de milhões de brasileiros. Aqui, por mim, até digo, que também entrei nessa. Custei, mas entrei. Digo mais, os setentões quando decidem por algo ou por alguém, faz sentido. Uma experiência nova cabe em qualquer lugar com as suas devidas reservas, é claro.

Por conta disso, ninguém desgruda do celular. Atividades outras, que antes faziam parte de nossa vida, estão agora cedendo espaço aos comentários, curtidas e compartilhamentos, que diariamente teclamos, sem se falar na troca de mensagens, vídeos, áudios e outros escambais da eclética e virtual salada que ingerimos nas horas mais preciosas, de forma quase que impulsiva.

Ontem mesmo, no intercâmbio dessas tarefas, uma delas me fez refletir mais profundamente e me arrastou para os confins das recordações de outros tempos vividos, razão pela qual estou a rabiscar essas lamúrias, não para chorar o leite derramado, mas pura e simplesmente para dizer que vale a pena sim recordar o passado. É sofrido, doido, alegre ou gostoso, inevitavelmente irreversível, mas fez e faz parte da gente como um visgo que gruda e não solta mais. Assim dizia um velho conterrâneo nosso, às lembranças não se dá jeito, dá-se saudades.

Quero dizer ao amigo Toe Luiz, nosso dileto conterrâneo, que divide o seu tempo ora com a zoeira soteropolitana, ora com a mesmice paramirinhense, que a sua postagem não foi um simples prato de recordações, mas um verdadeiro banquete. Se você teve a intenção de mexer comigo, afirmo-lhe que acertou na mosca. O seu vídeo é sem comentário, não só bela beleza da melodia e a exaltação das relíquias que ficaram para trás, mas, sobretudo pela sua intencionalidade, a coerência do que vimos, sentimos e perdemos por conta dessa tal “ coisa ruim “ chamada progresso.

Frases como “Saudades da professorinha” “jogos de botões pelas calçadas”, “por onde andará Mariazinha”, “eu igual a toda meninada”, “meu primeiro amor por onde andará” soam na nossa mente como um suave dardo que penetra a alma ou um adocicado veneno que invade o coração e nos faz prostrar ante o martírio da saudade dos tempos que não voltam mais. Que me perdoem os críticos, mas quem diria que o retinto Ataulfo Alves iria bulir com os sentimentos alheios com tanta lisura e sutileza, como faz um guri tocando as bolinhas de gude nas ruas da vida ou uma trigueira morena rebolando as cadeiras num samba de roda.

Pois é amigo. Nem é preciso dizer que valeu a pena nem dizer muito obrigado. Continue colecionando os retalhos do nosso tempo, do tempo da carteira de Continental sem filtro, do pente flamengo, do binóculo, das calças boca de sino, da mini saia, da blusa Saint Tropez, dos filmes de Roy Rogers e dos uniformes anil e branco do ginásio de Paramirim. Quantas recordações do trim, do laquê, das músicas do Rei, da Jovem Guarda, do campo do Colégio e da espelunca de Borrela. Vai Saudades carrega consigo esses tarecos de nostalgia, vai cantar teus boleros de Anízio, teu Mamãe Eu Quero noutra paróquia, deixa esse saudosista em paz. Convide o saudoso João do trombone, o Quincas que também se foi com o seu inesquecível repertório de samba-canção, leve se quiser de companheira a saudosa Sá Lió, mas por favor não se esqueça de levar também os Azes do Ritmo que tanto abrilhantaram as festas de primavera da ACRP dos anos sessenta.

Deixe-me em paz pelo menos por alguns instantes porque quero degustar com todas as suas nuances, possivelmente deitado numa rede à sombra de uma frondosa mangueira, vendo ao longe as silhuetas das serranias que nos cercam. Silêncio, exijo, porque agora só tenho tempo para ouvir e ver o conteúdo muito bem produzido desse precioso vídeo, cuja simplicidade e beleza só tocam o coração dos saudosistas como eu. Valeu amigo! Agora é a vez dos Meus Tempos de Crianças.

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