Quer ser mulher? Então se vira

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Quer ser mulher? Então se vira

Com as conquistas sociais obtidas no último século, um número importante de mulheres passou a exercer funções que antes lhes eram negadas. Hoje, podemos estudar e ensinar em uma universidade, trabalhar e dirigir uma empresa, votar e ser votada pra qualquer cargo da administração pública. Mas essas ocupações não significaram o fim de atividades que antes exercíamos.

A grande maioria das trabalhadoras faz dupla/tripla jornada com as atribuições não remuneradas economicamente de dona de casa e mãe. Mesmo com todas as tecnologias disponíveis como a máquina de lavar ou o aspirador de pó, as tarefas domésticas são muito extenuantes. Basta pensar na famosa faxina de sexta. E se tiver filhos pequenos, deve desenvolver dotes a mais de educadora, psicóloga, enfermeira, confeiteira e animadora de eventos infantis.

Soma-se a essa condição, a cobrança que a sociedade faz e muitas vezes a própria pessoa se impõe de estar sempre bonita e atraente. O que significa torturantes dietas e horas de academia para emagrecer. Cabelo lavado, passado e engomado, unhas lixadas e esmaltadas. Maquiagem perfeita que garanta pele luminosa, cílios volumosos e lábios coloridos. Ufa!!

Aviso aos navegantes:

Claro que nos sentimos orgulhosas dos direitos adquiridos mesmo que não sejam suficientes. Queremos um lar aconchegante para nos repousarmos depois de um dia cansativo. Merecemos estar de bem conosco, tendo um tempo para se dedicar a fazer algo que gostamos. Temos a força e a coragem para sermos polivalentes, mas uma ajudinha de vez em quando ninguém iria rejeitar.

A começar pelo governo, independente da alçada, que deveria assegurar creches de qualidade para todas as mães trabalhadoras. É inútil dizer que se investiram milhões na educação infantil quando na prática não há vagas para as crianças ou a estrutura e os serviços ofertados são medíocres.

A cooperação também passa por você empregador mesquinho que persiste no hábito desonesto de pagar 30% a menos dos salários dos homens a uma mulher com as mesmas incumbências. E como se tudo isso não bastasse, demite a funcionária assim que ela inicia o período de licença-maternidade.

E tu companheiro pode dar uma mãozinha para sua esposa, para sua mãe, viu. Olha, agora vou fazer uma revelação que vai te deixar chocado: os pratos sujos não caminham até a pia sozinhos, muito menos as roupas não voam até o balde quando devem ser lavadas. E que tal aprender a fazer um arrozinho? Aposto que com sua capacidade intelectiva em duas lições não queima mais a panela.

Ah, mas a impressão é que se você teve a audácia de exigir e obter direitos agora que aguente o trampo sozinha. Quer ser uma mulher moderna, estudar, trabalhar, cuidar do lar, fazer ginástica e ainda por cima se divertir? Então se vira.

Falta solidariedade até entre nós mesmas. Criticamos umas às outras por qualquer falha. Se o filho de uma foi para a escola com o uniforme manchado, ou se a outra não conseguiu voltar ao peso ideal depois da segunda gravidez. Eva contra Eva.

Há algum tempo fui conversar com uma professora universitária que havia escrito muitos artigos sobre a clarividência e intrepidez de escritoras do século XIX. Queria justificar que eu não poderia frequentar o seu curso porque era no final da tarde quando meu filho saía da escola. Essa senhora me respondeu sem meios termos que se não tivesse tempo para estudar deveria rever as minhas escolhas.

Eu não revi coisa nenhuma.

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