Quem diabos compra, diabos vende

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Quem diabos compra, diabos vende

Como digo sempre, é na cultura popular, nos meios mais simples que, na mais das vezes, encontramos exemplos repletos de sabedoria, os quais muitas vezes passam despercebidos à nossa interpretação. A criatividade do sertanejo é exuberante, pronta, simples e oportuna, até mesmo em inusitadas circunstâncias.

O homem comum sabe interpretar a natureza, comunicar-se usando diferentes nuances da linguagem, sabe planejar, organizar e executar com sabedoria as tarefas do seu dia-a-dia. Sabe a quadra apropriada para lançar a semente, fazer a colheita e cortar a madeira. Sabe também cultivar as suas paixões, os seus sentimentos fazendo valer a voz da razão e do coração. Digo mais, o sertanejo tem a reposta certa para cada pergunta e a explicação para cada fato, usando o seu próprio vocabulário.

Não foi surpresa para mim, quando numa conversa recente com um cidadão respeitável de Paramirim sobre a política local, uma senhora que se achava por perto pegou um gancho no debate e acabou saindo como a grande protagonista do nosso diálogo.

O meu interlocutor que não era “peco”, mas fanaticamente situacionista, buscou generalizar os fatos dizendo que todas as prefeituras do país estavam falidas, sem crédito na praça, com atraso nas folhas de pagamento, sem condição de sair do vermelho.

Deixei a conversa fluir da forma mais salutar possível, sem querer irrita-lo até por respeito à amizade que nos une há muito, mas num determinado momento, a dita senhora que nos ouvia, toma a palavra e com muita suavidade faz a seguinte colocação.

– É muito simples, disse ela. Quem Diabos compra, Diabos vende. Quando alguém está no aperto vale sempre do que tem. Assim deveriam fazer também os gestores. Os prefeitos não compraram votos para se elegerem? Agora façam ao contrário. Vendam os votos comprados para os próximos candidatos que lhe pagarem mais e com o dinheiro arrecadado, paguem as dívidas da prefeitura.

Nesse ponto a nossa conversa foi interrompida porque um trovão de risadas se fez ouvir no ambiente e o meu interlocutor picou o burro na espora, dizendo “quem espera tempo duto é lajedo”.

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