Paramirim registra o primeiro caso de morte por mordida de morcego

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Paramirim registra o primeiro caso de morte por mordida de morcego

Faleceu na segunda-feira, (06), no Hospital Couto Maia, Salvador, Bahia, o lavrador Edvaldo Francisco de Souza, 46 anos, morador na comunidade de Saco dos Bois, município de Paramirim, vítima de raiva, provocada por uma mordida de morcego, conforme foi amplamente noticiado.

A fatídica trajetória de Edvaldo, mais conhecido por Valcin, teve início na manhã de quinta-feira, 02 de fevereiro do ano em curso, quando aconteceu o fato no exato momento em que ordenhava uma vaca no curral de sua propriedade.                       

Sem dar muita importância ao ocorrido, o lavrador após ser ofendido no calcanhar pelo mamífero voador, ainda se dispôs a matá-lo, pisoteando o agressor até deixa-lo esmagado, como se assim tudo ficasse resolvido.                       

Infelizmente, algo mais dolorido e fatal estava por acontecer. Como faz todo sertanejo, Valcin achando-se que a medicina caseira poderia impedir o avanço de um possível mal que viesse afetar a sua saúde, outra coisa não fez senão tomar um reforçado chá de caroços de umburana macho, muito eficaz para outras agressões, a exemplo de picadas de insetos peçonhentos.                       

Os dias passaram, o lavrador continuou exercendo as suas atividades normalmente, até participou no dia 21 de fevereiro de uma reunião de pais e mestres na Escola Manoel Brasil, em Canabravinha, sem saber que no seu corpo proliferava o vírus de um mal capaz de roubar-lhe a vida irreversivelmente.                       

Pessoas reunidas na comunidade do Saco dos Bois, onde ocorreu o fato.

Como um duro na queda, Valcin até tentou  contrapor-se à  necessidade de procurar um médico, mas a  intensidade dos sintomas a exemplo de fortes dores no corpo, febre, cefaleia e  outras manifestações ditaram as ordens, sendo levado  por mais de uma  vez ao Hospital José Américo Resende em diferentes datas até que  na manhã de 25 de fevereiro, vinte e dois dias depois de estar infectado,  ficou definitivamente  internado,  passando a ser cuidado pelos médicos daquela casa de saúde, principalmente Dr.Jurandir Martins Leão.                       

O maior agravante desse caso e talvez a razão primordial da fatalidade foi o fato do paciente deixar de revelar nos primeiros momentos aos clínicos que o atenderam o que realmente havia acontecido dias atrás quando fora mordido pelo morcego, daí o retardamento do diagnóstico e as medidas cabíveis em situações semelhantes.                       

Diante do continuo agravamento do seu quadro e esgotado os recursos médicos a nível local, sobretudo, após a Secretaria de Saúde de Paramirim ter tomado conhecimento da intervenção do morcego, o paciente foi intubado e transferido via aérea para a capital do estado, onde ficou internado na UTI do Couto Maia, vindo a óbito com quadro de raiva humana   na manhã de segunda-feira (06), 32 dias após ser vitimado pelo agente transmissor.                       

Segundo nota divulgada pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia, na terça-feira (09), para o diagnóstico definitivo desse quadro foi colhido material da vítima e enviado ao Instituto Pasteur, “que já confirmou ter sido positivo para raiva”.          

Ainda de acordo com a Sesab, a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Divep) j com a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab )  investiga o caso, inclusive promovendo ações na área rural onde residia a vítima como vacinação de animais, palestras para esclarecimento dos interessados, a exemplo do que ocorreu na Câmara de Vereadores na última  quarta-feira  (15 ). 

Para os pesquisadores, esse é o primeiro caso de raiva humana ocorrido na Bahia desde de 2004. Por conta dessa realidade, o fato ganhou notoriedade nacional, sendo divulgado por alguns canais de televisão, órgãos da impressa, sites e pelas redes sociais para conhecimento público.                   

Sob o ponto de vista médico, a raiva é uma zoonose viral que se caracteriza como uma encefalite progressiva, aguda e letal, a qual todos os mamíferos são susceptíveis ao vírus. Sua transmissão ocorre principalmente através da saliva pela mordida de animais infectados, como é o caso do morcego que se alimenta de sangue. Por esta razão, qualquer um que pode ter um risco de contrai-la deve receber vacinação    antirrábica para a proteção.                       

Vacinação de animais como medida de prevenção à raiva.

Dessa forma fica registrado o primeiro caso de morte por raiva humana provocado por mordida de morcego ocorrido no município de Paramirim, de que se tem notícias, sendo a vítima o lavrador Edvaldo Francisco de Souza, 46 anos, pai de três filhos, dois deles ainda menores, muito querido de todos que o conheciam. Dono de uma saúde invejável, honesto e trabalhador, mas que se sucumbiu pela desdita de um acontecimento inusitado, cuja culpa talvez só ao destino pode-se atribuir.                       

A título de justiça ao fiel desempenho do seu cargo com efetiva experiência, necessário se faz registrar aqui a eficiência do senhor Secretário Municipal de Saúde de Paramirim ao tomar conhecimento do caso, conforme ele próprio descreve com as suas palavras. ” Na quarta-feira de cinza (01 de março de 2017), aproximadamente ás 10h:00 horas da manhã, o sobrinho do paciente Edvaldo Francisco de Souza me solicitou uma ambulância da SAMU para transportar seu tio para São Paulo, em busca de tratamento, pois o mesmo se encontrava hospitalizado com suspeita da Síndrome Guillain Barré, uma suposta consequência do Zika Vírus. Após uma investigação minuciosa do histórico do paciente em diálogo com o seu sobrinho me foi revelado que o Sr.Edivaldo tinha sido mordido por um morcego por cerca de 21 dias atrás uma ordenha. Imediatamente entrei em contato com o médico responsável pelo caso para um suposto diagnóstico de raiva e tomar as medidas cabíveis.

No dia seguinte (02), nas primeiras horas da manhã através da Vigilância Epidemiológica notifiquei o caso ao SINAN (Sistema de Informação de Agravo de Notificação) e solicitei apoio da BRS (Base Regional de Saúde, a antiga Dires) e a DIVEP (Divisão de Vigilância Epidemiológica da SESAB). Em tempo hábil, a Vigilância Epidemiológica do Município de Paramirim e da Base Regional da Boquira dirigiram-se ao Hospital José Américo Resende para realização da coleta de material e preparo do paciente para sua transferência via transporte aéreo ao Hospital Couto Maia, localizado na cidade de Salvador, Bahia, que ocorreu no mesmo dia.

Concomitantemente, a Vigilância Epidemiológica do Município de Paramirim e da Base Regional de Saúde realizaram visitas à comunidade de Saco dos Bois, localizada na zona rural do município em questão, para uma intensificação das investigações epidemiológicas, busca ativa dos casos, prevenção e planejamento de ações de controle e execução através do bloqueio vacinal dos animais e das pessoas que mantiveram contato com o paciente. Foram realizadas palestras de conscientização para com a população além de oficializar a ADAB”

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