O Zabumbão é viável

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O Zabumbão é viável

Mais um forte motivo para proclamarmos quanto Deus é Maravilhoso, quanto a natureza é generosa e quanto o Zabumbão é viável. Basta olharmos a foto que ilustra este texto. Um só exemplar com quase trinta quilos é o suficiente para abastecer a mesa de várias pessoas, que às vezes não têm recursos suficientes para obter o sagrado pão de cada dia. Tudo isso, sem se falar que outros desse porte compõem os diversos cardumes que reproduzem naturalmente nas águas desse lago, numa evidente prova que o mesmo é um fecundo celeiro de alimentos.

É preciso, entretanto, conscientizarmos que o conjunto Zabumbão deve ser olhado não apenas com os olhos da admiração e do prazer, como se o mesmo fosse um patrimônio exclusivamente nosso. Seu potencial requer muito mais que isso. Não basta apenas sentirmos o frescor de suas águas numa manhã de sol, nem somente regozijarmos com o aconchego de seus recantos acolhedores. Seu lado econômico, social, ecológico e paisagístico carece ser trabalhado de forma integrada, buscando-se a geração de empregos e rendas para os municípios que compõem o vale do seu rio.

Ressaltamos que a barragem em si não traz nenhum desenvolvimento. O que faz gerar o progresso é a operacionalização de suas possibilidades. Quem não se lembra do velho ditado: barco parado não pega fretes. É muito comodismo de nossa parte, contentarmos tão somente com um copo do seu precioso líquido para matar a nossa sede. Claro que é uma prioridade básica, mas muito se pode fazer no seu contexto e no seu entorno sem causar desperdício e sem prejudicar seus usuários rio abaixo.

Ao invés de jogarmos conversa fora, muitas vezes de forma arrogante, politiqueira e impensada, afirmando que as águas da Barragem devem ou não devem satisfazer a vontade de outros municípios, por que não colocarmos as cartas na mesa para mostrar o que podemos, queremos e devemos fazer na área da agricultura e da pecuária, do turismo ecológico, do esporte aquático, da piscicultura e do lazer para melhor aproveita-las. Acho, pessoalmente, que quando se fala em Zabumbão, sobra blá-blá-blá e falta iniciativa, projetos e ações, tanto por parte de seus beneficiários diretos, como dos governos que usam esse patrimônio como moeda eleitoral.

A verdade é que as águas do Zabumbão são mal utilizadas, mal distribuídas e mal administradas. Somos eternos parceiros da infiltração, da evaporação e até mesmo da poluição. Basta um exemplo: do São Francisco a Caetité são dezenas de quilômetros. A tubulação construída nesse trajeto não desperdiça uma gota do precioso liquido que por ela passa até chegar ao seu destino. Imagine, se esse conduto fosse a céu aberto, não se teria jamais total aproveitamento do produto transportado. Dessa mesma forma, também se pode fazer com todos os derivados do rio Paramirim, usados para a irrigação de suas terras adjacentes, o consumo humano e outras finalidades.

Essa birra de querer administrar à distância um patrimônio vivo como é o Zabumbão, de finalidades tão diversificadas, nunca me convenceu, muito pelo contrário, só gera decepções e comentários negativos. Basta lembrarmos que o Banco do Brasil, o INSS e a Caixa Econômica pertencem ao Governo Federal e todos esses órgãos tem uma administração local, qualificada para tal fim. Por que não usarmos também essa mesma metodologia com relação ao manancial do Zabumbão, que no meu modo de interpretar é muito mais importante do que todos os demais reunidos, uma vez que do seu complexo depende a sobrevivência humana.

Que o vistoso tambaqui embaraçado na rede do humilde pescador que teve por prêmio a felicidade de pescá-lo sirva de exemplo para todos aqueles que direta e indiretamente são responsáveis pelo projeto Zabumbão, que por inoperância do governo e comodismo da sociedade, está deixando a desejar. Já é hora de reformular os velhos conceitos de utilização de seu potencial. Digo mais, o paraíso das águas é aqui, se comparado a outros lugares. Nada de arrogância, nem de casuísmo. Mais vale um projeto na mão de cada produtor rural, de cada pescador, de cada dona de casa, buscando tornar o seu sonho uma realidade, do que o instrumento da violência e do desespero. Nenhum governo é capaz de passar sobre vontade de um povo organizado, quando se sabe que acima de quaisquer prerrogativas, prevalecem os elementos de sua cultura, de suas tradições, de seus anseios e necessidades. Paramirim sempre foi considerado o celeiro do sertão, é preciso retomar esse conceito. Falta conscientização. O Zabumbão é viável!

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