Missa de enceramento dos festejos de São José em Paramirim

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Missa de enceramento dos festejos de São José em Paramirim
Interior da Capela de São José – Foto: Focado em você

No sábado à noite (19 de março) fui à missa de encerramento dos festejos de São José no antigo bairro da Beira da Lagoa, entrada sul da cidade de Paramirim. Confesso que valeu a iniciativa. Sempre que fazemos alguma coisa deliberadamente, a título de satisfazer um desejo, nada temos a reclamar, afinal de contas a prática da religião, não importa se católica ou evangélica, é uma necessidade imperiosa do ser humano. Basta que se faça com fé e convicção.

Celebrada ao ar livre pelo Padre Weverson Almeida Santos e seus auxiliares, fiz o compromisso comigo mesmo de assisti-la com muita atenção do começo ao fim. Até tomei a Santa Hóstia em resignação, como fazem todos aqueles que se julgam um bom cristão, após proceder, claro, um necessário exame de consciência em busca do arrependimento dos seus próprios pecados. As poucas vezes que assim o fiz, sempre senti a sensação de estar em paz comigo mesmo e com Deus, mesmo sabendo que não sou um assíduo frequentador da Igreja.

Os festejos de São José neste bairro, fazem parte de minha trajetória de vida por algumas razões especiais, das quais não me abdico em hipótese alguma. A Beira Lagoa é o bairro onde nasci e me criei. Também é o logradouro onde me casei e construí a minha família. Digo mais, nasci exatamente na casa até hoje existente, por ironia do destino, bem à frente da capela do seu padroeiro. Além disso, a minha mãe por sucessivos anos foi uma das principais rezadeiras das novenas de São José no tempo em que tudo se fazia sem os recursos sonoros hoje utilizados nas celebrações. Não sei se por uma questão de saudosismo ou por razões do amor filial ainda ouço a sua voz em parceria com outras companheiras entoando o tradicional bendito “Oh! José gloriosíssimo por todos intercedei ”.

Desta forma acompanhei a celebração em toda a sua extensão, apesar do sacrifício de permanecer de pé por um bom tempo, e até me emocionei em alguns momentos com os cânticos entoados e as palavras do celebrante principalmente quando por este foi dito que São José foi um homem justo e recomendado pelo anjo para guardar o segredo da concepção de Maria, a fim de preservar a integridade desta perante as leis judaicas da época, para mim, uma das passagens mais interessantes do evangelho e de toda a história do cristianismo.

No mais, me senti também muito reconfortado ao rever alguns amigos e recordar de algumas cenas do tempo em que ali vivi e, sobretudo, constatar que as tradições desses festejos continuam vivas e bem vivas, apesar de muitos entenderem que cada coisa tem o seu tempo de ser e que tudo tem que ser inovado por conta do progresso e uso das modernas tecnologias, opinião da qual discordo, por que o que tem de ser preservado faz parte de nossas manifestações culturais.

Uma outra razão que me levou a estar presente na referida celebração, talvez não seja muito significativa para os que desconhecem a história da nova capela de São José, mas para mim muito importante. Quero lembrar que nessa data fez exatamente quarenta anos de sua inauguração, quarenta anos em que nela foi celebrada a primeira missa de encerramento de sua festa pelo Padre Pedro Olímpio dos Santos, ao pé do seu novo altar. Saliento que esta referência não poderia ser esquecida pelos organizadores dos festejos de 2016. Faço lembrar, portanto, em tempo hábil, esse detalhe, como legitimo conhecedor do fato, para fazer justiça a todos que colaboraram na sua construção.

Geralmente os episódios da história local passam por este processo. Há os que os olvidam por esquecimento, outros por conveniência, mas por traz de ambos existe na mais das vezes o testemunho da verdade pronto a não deixar que indiferentismo de quem quer que seja prevaleça, até por que a história como um todo é o olho da ciência voltado para o passado, o presente e o futuro, sem omissão dos acontecimentos, sem retaliação.

Dessa forma, ressalto que fiquei feliz em participar mais uma vez das celebrações de são José, desta feita a quadragésima de encerramento dos seus festejos na capela levantada por nossa iniciativa e esforços com ajuda da comunidade da Beira da Lagoa e do povo de Paramirim conclamado para esse fim.

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