Homenagem a Jane Mary – A eterna cantora de Paramirim

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Homenagem a Jane Mary – A eterna cantora de Paramirim
Integrantes da Banda Transito Livre

Como falar sobre música em Paramirim sem lembrar os carnavais do clube e da praça Santo Antônio, os reisados, as danças juninas, as cantigas de roda, os arrasta-pés, os leilões dos padroeiros, os programas de calouros do Cine Aliança, os réveillons de todos os anos e as inesquecíveis serestas das noites enluaradas;

Como falar de músicos em Paramirim sem lembrar Altamiro e Edgard Viana, Miguelzinho Barbeiro, Zé Meira, a família Moreno, Melezinho da Venda, Zé Cardoso, Zuzinha, Tota de Ana Amélia, Benzinho de Antônio Sapateiro, Sergio da rua do Cavalo Preto, Beto, Messias, João do Trombone, Sá Lió, Peixoto, Dizé e o velho Massimimo com a sua Sanfona de 48 baixos animando os famosos forrós de final de semana nos locais mais inusitados;

Como falar em empreendimentos musicais em Paramirim sem se falar nos ternos de reisados, nos grupos de Capoeira, nos corais e nas orquestras das igrejas sejam elas evangélicas ou católicas, sem lembrar as inúmeras bandas e conjuntos que animaram os diferentes eventos festivos da boa terra. Como falar de organização musical sem esquecer a mais perfeita e duradoura de todas elas – a dileta Lira de Nossa Senhora das Graças, da acolhedora Vila de Canabravinha;

Como descrever os eventos festivos de Paramirim sem enaltecer os reisados, as retretas musicais, os sambas de roda, os bailes de confraternização, as quadrilhas juninas, os repentes dos violeiros, as cantigas de roda, os musicais em torno das mesas de leilões, as serenatas ao luar, as festas de largo e os eventos comemorativos. Tudo isso e muito mais, sem se falar nas modernidades das baladas, dos halloween, dos luares, dos shows com celebridades, dos festivais, das exposições, dos chapadões e das capadócias;

Como falar de tudo isso, sem lembrar as inconfundíveis vozes que tocaram os corações dos paramirinhenses em diferentes gerações ora mexendo com os sentimentos mais profundos, ora estimulando gargalhadas. Como falar de música sem lembrar Quincas Araújo, Zé Cardoso, Zé Moreno, Som e Pedro de Bebé, Mota, o sósia de Raul Seixas, Nill Castro e os expoentes Dara, Colado e Coladinho, Vá, Lando Ramos e Beto Xodó, mais do que conhecidos regionalmente;

Como falar de tudo isso, sem se comover diante das vozes Maviosas das cantoras da Igreja de Santo Antônio a exemplos de Lili e Miralva Moreno, da professora Noélia e do tenor Antônio Gilvandro, que se primam pelo talento e a exclusividade de se apresentarem tão somente em momentos especiais, porque as vozes são como pedras preciosas, quanto mais se escondem, mais preciosas ficam.

Como falar de tudo isso, sem lembrar e sentir saudades da inconfundível voz de Jane Mary Pereira Alves, a inesquecível Jane de seu Lero, que acaba de nos deixar para compor e enriquecer um novo coral nos palcos do céu. Como falar de música em Paramirim, Jane, sem lembrar o seu nome como cantora de todos os eventos. Fossem eles sociais, educativos, comemorativos, festivos e religiosos, principalmente. Como falar da arte musical, Jane, sem falar na sua família que em meados da década de setenta trocou a paisagem serrana da vizinha Abaíra pelo verde Vale do Paramirim e aqui se radicou com a sua vocação musical, tendo você e o guitarrista Gerson como estrelas de primeira grandeza dessa imensa constelação;

Como falar de tudo isso, Jane, sem lembrar a Banda Trânsito Livre de nossa iniciativa, fundada em 07 de abril de 1987, numa época em que poucos sabiam manejar uma guitarra, uma mesa de som e um contrabaixo. Quantos ensaios, quantas tentativas, quantos erros e quantos acertos para chegarmos a primeira apresentação no palco da Boite Ternura e, posteriormente, nas praças das cidades vizinhas. E você Jane estava lá de cabeça erguida, microfone em punho, catando e empolgando a eclética geração da década de seus contemporâneos. Você Jane não foi tão somente uma cantora, mas a primeira mulher paramirinhense, assim podemos considerá-la, a quebrar preconceitos enraizados na cultura regional se consagrando crooner de uma modéstia banda, onde havia até então espaço apenas para homens.

Dessa forma, Jane, em nome do site Paramirim Eventos e especialmente da Banda Trânsito Livre, pioneira das boates de Paramirim, do Espaço Dançante Princesa do Brás, queremos externar a certeza de que você continuará morando nos corações de todos nós paramirinhenses, externar também o nosso reconhecimento da sua arte e da sua maneira de ser, desejando-lhe que no coro dos anjos, você encontre um espaço para alegrar as almas do céu. Em tempo, quero lembrar as palavras do poeta, que aqui repito com muita propriedade: “Quem parte, parte, quem fica, fica, mas nem os que partem, partem, nem os que ficam, ficam; porque os que partem, levam os corações dos que ficam e os que ficam se apoderam dos corações dos que partem”.

Valeu Jane!

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