Grupo de montaria de Paramirim manifesta em favor da vaquejada

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Grupo de montaria de Paramirim manifesta em favor da vaquejada

Quando se fala em cavalgada no sertão logo se pensa em cavaleiros e amazonas desfilando estrada a fora em vistosas montarias para comemorar alguma coisa. Mas não foi isso que aconteceu no último domingo (23) em Paramirim. Cavalos e cavaleiros até que houve, mas o evento teve finalidade totalmente diferente.

Desta vez, o grupo de montaria liderado pelos criadores Gilmar Fernandes Brito e Rogerio Souza Moitinho tomou a iniciativa de cavalgar pelas ruas de Paramirim para manifestar contra a proibição da vaquejada em todo o país.

Puxado por dois carros de som entoando cantigas ligadas às lides da vaquejada, o desfile dos cavaleiros partiu do Parque de Exposição Luís Gonzaga da Silva Barros, passou pelo balneário da cidade, encerrando-se, logo após o meio dia, no Posto Lubrijau, na Avenida Boquira bairro São Jose. Contou com aproximadamente 60 participantes.

Para Rogério Moitinho (um dos organizadores do evento), a adesão do grupo de Paramirim buscou mostrar à sociedade que a vaquejada não pode acabar por se constituir parte da cultura sertaneja.

Ainda, segundo Rogério, outras manifestações semelhantes já aconteceram ou vem acontecendo em várias cidades do interior em favor da sua continuidade por considerar essa diversão uma atividade não só esportiva como também econômica para milhares e milhares de brasileiros.

Ao julgar inconstitucional a lei do Ceará que regulamentava a vaquejada no estado, o Supremo Tribunal Federal ( STF ) alegou maus-tratos aos animais tornando assim a sua prática uma atividade ilegal e proibida em todo o país.

Por se tratar de uma atividade polêmica com prós e contras a sua proibição afeta não só o quesito cultura como também o esporte e a economia. Muitas atividades como produção de eventos, criação de cavalos, construção de haras, equipamentos de montaria poderão perder o ânimo em desaquecimento do mercado de trabalho nessa área, desempregando milhares de pessoas, afirmam seus defensores.

Em busca de uma decisão, parlamentares estarão votando hoje o destino da vaquejada sob protesto de inúmeros defensores da sua continuidade já reunidos em Brasília como também da repulsa daqueles que defendem a proteção dos animais. E mais um embate a ser decidido pelo Congresso. Esperamos que tudo ocorra sob o prisma de um julgamento sereno, transparente e democrático. Quem sabe os divinos Deputados e Senadores encontrem um meio termo pelo qual nem a onça come o bode nem o bode morre de fome.

O relator do projeto (PL 2086/11) que proíbe laçadas e derrubadas de bois e bezerros em rodeios, deputado Walter Feldman (PSDB-SP), afirmou que vai apresentar parecer favorável ao texto.

A proposta, que tramita na Comissão de Turismo e Desporto, é de autoria do deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP) e também define penalidades para quem não cumprir a determinação. Vai ser considerado infrator o proprietário do local onde foram executadas as práticas contra os animais. Também será infrator o servidor ou a autoridade que conceder alvará ou licença para a realização do evento. A multa poderá atingir o valor de R$ 30 mil.

Walter Feldman afirma que as perseguições seguidas de laçadas e derrubadas de animais em rodeios ou eventos parecidos faz com que os animais sejam submetidos a agressões e violência desnecessárias. “É um formato de atividade que é muito utilizado no interior e que tem produzido lesões bastante graves no tronco, no pescoço, muitas vezes levando até à morte do animal. Não há nenhuma justificativa de lazer, de entretenimento, de esporte que faça com que haja uma lesão animal, uma vitimização do animal, como tem acontecido. Portanto, nós vamos aprovar essa matéria, e espero que, posteriormente, seja definitivamente aprovada em Plenário.”

Duas propostas que tramitam em conjunto seguem no sentido oposto da proibição. Uma delas regulamenta a vaquejada como atividade esportiva (PL 3024/11) e a outra regulamenta a vaquejada como atividade desportiva formal (PL 2452/11). A vaquejada é definida como evento esportivo de competição, em montarias, em duplas com o objetivo de dominar bovinos.

O autor do PL 3024/11, deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), destaca que vaquejada é praticada no Brasil há mais de um século, sendo que, nos dias atuais, acontecem centenas de eventos em todo território nacional, tanto recreativamente como profissionalmente. Ele afirma que a vaquejada é “uma manifestação cultural legitimamente brasileira” e que tem atraído público fiel e apaixonado.

O relator Walter Feldman reconhece que a proposta poderá encontrar resistência dos que defendem esses eventos motivados pelo lado cultural. Mas, para ele, o apelo mais forte é o de lutar pelas vidas desses animais. “Esse é um embate da sociedade moderna, que deve encontrar outros mecanismos de lazer e entretenimento que não levem à vitimização, seja do ser humano, seja de animais. Essa é a nossa tarefa de mudança dessa cultura. Há muitos instrumentos hoje de entretenimento mais saudável e é esse debate que vamos realizar.”

A polêmica é grande e as correntes de pensamento são conflitantes. O costume tornou-se objeto amplo de discussão entre aqueles que exploram esse tipo de empreendimento e as entidades protetoras dos animais.

A vaquejada é uma “ modalidade esportiva ” praticada sobretudo no nordeste brasileiro, na qual dois vaqueiros a cavalo devem derrubar um boi, dentro dos limites de uma demarcação a cal, puxando-o pelo rabo. Vence a dupla que obtiver maior número de pontos.

Originou-se da necessidade de reunir o gado que era criado solto na mata na época dos coronéis. Conforme José Euzébio Fernandes Bezerra (2007, on line).

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