Foco de mosquito na avenida Botuporã

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Dengue, Um Desafio Nacional

“Art. 196. Saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visam a redução dos riscos de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário as ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Constituição da República Federativa do Brasil. 1988.

Quem desce pela Avenida Botuporã, rumo ao centro da cidade, logo ali em frente à Constrular e próximo à Câmara de Vereadores, depara-se com um quadro estarrecedor, que muito bem pode ser tomado como um dos cartões postais da real situação de Paramirim. Não é preciso ser perito no assunto, nem andar de luneta na mão para o ver o recheio de um indigesto produto que orna o suntuoso álbum de nossas deficiências, a contragosto dos habitantes da avenida, dos transeuntes e dos visitantes que diariamente passam pelo local.

Trata-se de um buraco na rede de esgoto por onde escorre rumo à Baixa da Roseira, grande volume de material orgânico procedente das imediações da Praça Paulo Souto e da Avenida Macaúbas, inclusive do Mercado Municipal. Sua aparência em forma de cratera nos faz lembrar uma verdadeira fossa a céu aberto num dos logradouros mais habitados e movimentados da cidade, com várias casas comerciais no seu entorno.

Além de causar repugnância à população é um verdadeiro alçapão para quem passa despercebido, inclusive com registros de veículos que nele já se enroscaram derivando prejuízos materiais para seus proprietários, sem se falar no acumulo de lixo ao seu derredor, deixando transparecer que a mão dos sofridos garis e o olhar atento dos fiscais da limpeza por ali não passam há muito tempo.

Não bastasse essa triste e calamitosa realidade, a água estagnada no interior dessa “cratera” cuja idade já passa de um janeiro, está causando pavor aos transeuntes e moradores pela grande quantidade de mosquitos e larvas que infestam o seu interior, os quais podem ser facilmente observados à olho nu. “Um verdadeiro viveiro de insetos de toda natureza no conjunto dos quais pode estar presente o Aedes aegypti responsável pela dengue, a zika vírus e a chikungunya”, afirma uma senhora que constatou o fato.

Para quem ainda não viu o triste espetáculo dessa situação de descaso e de vistas grossas que muita gente faz aos percalços da saúde pública, basta acessar as redes sociais para ver as impressionantes imagens filmadas por um fotógrafo inclusive com um áudio gravado ao vivo no fecundo lago dos perigosos “voadores” que ali proliferam.

O que mais nos pasma nesse momento de grande impacto nacional é saber que enquanto as autoridades cobram dos moradores e proprietários de quintais providencias para o combate ao mosquito transmissor da dengue, o poder público passa de Hilux por várias áreas de risco já denunciadas sem se dar conta do perigo que nelas existem. Olha que os moradores da Avenida Botuporã, na qual também tenho domicilio, já solicitaram por escrito medidas enérgicas nesse sentido uma vez que somente nas últimas semanas alguns casos dessa mazela já foram constatados em jovens e mães de famílias que neste logradouro vivem ou nele trabalham.

Somente para lembrar a quem de direito e a quem possa se sensibilizar diante do nosso clamor recorremos no início dessa denúncia ao Art. 196 da Constituição Federal para respaldar o que aqui registramos, enfatizando que a voz de um cidadão em defesa do bem-estar dos seus conterrâneos é mais necessária e mais eficaz do que os rataplãs dos tambores que nos incomodam, mesmo sabendo que muitos ouvidos mocos encontram-se por aí.

Dessa forma, solicitamos providencias imediatas, efetivas e duradouras desabonando as medidas paliativas, para a solução desse problema que não é apenas da Avenida Botuporã, mas de uma cidade que clama por seus direitos para que possamos nos proclamar como um povo verdadeiramente feliz.

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2 COMENTÁRIOS

  1. O pesquisador José Bento Pereira Lima, do Laboratório de Fisiologia e Controle de Artrópodes Vetores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), apresenta as diferenças entre as duas espécies e aponta as principais medidas para eliminar seus criadouros.
    É muito comum na época de chuvas encontrar larvas de mosquitos em águas sujas, cheias de material em decomposição, como esgotos e fossas. Essas larvas podem ser de A. aegypti?
    Não. É importante lembrar à população que o A. aegypti só deposita seus ovos preferencialmente em águas limpas. Suas larvas não conseguem sobreviver em reservatórios poluídos, com dejetos e muita matéria orgânica. Quando são encontradas larvas em poças com água contaminada, muito barrenta, em esgotos a céu aberto, em valões ou outros criadouros semelhantes, certamente não são larvas de A. aegypti. Provavelmente, trata-se de larvas de Culex quinquefaciatus, o pernilongo doméstico. Ao contrário do A. aegypti, o Culex prefere colocar seus ovos em criadouros bastante poluídos, com muita matéria orgânica em decomposição.
    http://www.ioc.fiocruz.br/dengue/textos/aedexculex.html

    • Olá Sr. José Arlindo, recomendo leitura do artigo sobre o Mosquito da Dengue no site do Mundo Educacao do qual extraímos o seguinte trecho:

      Apenas as fêmeas do Aedes aegypti são capazes de transmitir doenças, uma vez que somente ela se alimenta de sangue, sendo esse tipo de alimentação fundamental para que ocorra o amadurecimento do folículo ovariano. É importante frisar que o macho não pica, alimentando-se apenas de néctar.
      [b]O mosquito da dengue apresenta ciclo dependente da água, que, segundo pesquisas, pode ser limpa ou até mesmo com altos graus de poluição.[/b] Inicialmente os ovos são colocados pela fêmea em locais próximos à água, como na parede de alguns recipientes. Ali esses ovos podem ficar por até dois anos e ainda permanecerem viáveis. Eles eclodem quando os níveis de água aumentam e eles estão contato com ela, iniciando assim sua fase larval. Depois de larva, o Aedes Aegypti torna-se pupa e, por fim, adulto.

      Fonte: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/doencas/o-mosquito-dengue.htm

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