O feijão nosso de cada dia

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O feijão nosso de cada dia
Isto é uma piada..

O feijão é uma leguminosa conhecida e utilizada na alimentação desde a antiguidade. Atualmente, é usado em grande escala em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil e na América Central. Tirá-lo da mesa do brasileiro é quase impossível, faz parte do seu dia-a-dia. Constitui a base da alimentação do sertanejo. Ao ser servido, no almoço ou na janta, é o primeiro alimento que se põe no prato, seguindo se os costumes e os hábitos alimentares predominantes no sertão, por conta disso os antigos o chamavam de capitão da cozinha. Hoje, as regras já não são mais as mesmas, nem podiam ser, até por que em muitas mesas já não há mais como servi-lo, pelo alto custo de sua aquisição.

Na literatura universal, o feijão foi imortalizado no conto de fadas João e o Pé de Feijão de origem inglesa, cuja versão conhecida mais antiga é a de Benjamin Tabart, publicada em 1807 e popularizada por Joseph Jacobs em 1890, com a publicação de English Fairy Tales.

Muitos séculos depois, esse extraordinário produto da lavoura volta à berlinda, desta feita nas redes sociais, por conta do alto custo que está sendo comercializado no mercado nacional, o que nos faz trazê-lo à mesa de nossas considerações.

Na música popular brasileira foi lembrado por Luiz Gonzaga nos versos que diz “ Eu plantei feijão de corda numa panela de arroz, o baião que é bom sozinho que dirá baião de dois. ” A dupla caipira Tonico e Tinoco por sua vez gravou o Arraial Feijão Queimado e no carnaval de 1954, com muito bom humor, Nelson Gonsalves gravou da autoria de Roberto Roberti e Arlindo Marques Jr, a marchinha Se Eu Fosse Getúlio com o seguinte refrão: “ Se eu fosse Getúlio / Mandava a metade dessa gente pra lavoura / Mandava muita loura plantar cenoura / e muito bonitão plantar feijão, a qual foi sucesso nos anos seguintes.

Quem já leu o famoso poema de João Cabral de Melo Neto, assim descrito nos seus primeiros versos: “ catar feijão se limita em escrever: jogam se os grãos na água do alguidar e as palavras na folha do papel e depois, joga fora o que boia, ” percebe que o feijão também está presente na poesia.

Na culinária brasileira, os pratos feijão tropeiro, feijoada, feijão com toucinho dentro, feijão sacudido, dobradinha, sopa de feijão, sem se falar no tradicional feijão com arroz de todas as cozinhas dispensam quaisquer comentários por serem tradicionalmente conhecidos.

Presente na mesa do pobre e do rico, dos grã-finos talvez não, sua combinação com o arroz é o carro chefe da culinária do Brasil. É o pão nosso do povo brasileiro, inserido na sua cultura, nas refeições diárias e recentemente nas comemorações festivas. Sua importância despensa comentários pelos nutrientes que proporciona: proteínas, cálcio, vitaminas, principalmente as do complexo B, carboidratos e fibras.

Em setembro de 1992, quando se inaugurou a Cesta do Povo em Paramirim, 1kg de feijão custava Cr$ 3.220,00 (Três mil e duzentos e vinte cruzeiros). O salário mínimo naquele mesmo mês e ano era de Cr$ 522.186,94 (Quinhentos e vinte e dois mil, cento e oitenta e seis cruzeiros e noventa e quatro centavos), o que dava para se comprar 162 kg de feijão. Hoje, o salário mínimo brasileiro é de R$ 880,00 (Oitocentos e oitenta reais) equivalente a pouco mais de oitenta quilos de feijão pelo preço atual de R$ 11,00. Esta comparação nos remete a duas realidades diferentes, ou o preço do feijão extrapolou os seus limites ou o salário mínimo dos brasileiros está defasando-se cada vez mais.

Em Paramirim, o feijão desapareceu tanto das feiras-livres como das lavouras. Tempos atrás, o município era destaque na sua produção. Hoje, o que se produz não atende o consumo interno. De exportador, passamos a importador. As grandes plantações da beira do rio cederam espaço às pastagens, o lavrador cruzou os braços. Já não se planta o feijão da quaresma, nem o da seca, como se plantava antigamente na região. Segundo os proprietários de terras, sua cultura tornou-se economicamente inviável, principalmente pelos custos da mão de obra utilizada no seu cultivo.

Segundo fontes ligadas à Embrapa, um hectare produz em média de 800 a 1200kg de feijão, se tudo correr bem, sem deixar a roça passar sede e sem as inconveniências da praga, principalmente o mosaico. A duração da lavoura dura de sessenta a setenta dias. Algumas variedades são mais tardias, outras mais rápidas. Não se pode descuidar também da aração, gradeamento e adubação da terra, fatores indispensáveis para uma boa colheita.

Por ser uma lavoura sazonal, o seu cultivo depende muito do fator molhação, quer por irrigação ou pela chuva e essa ultimamente tem se tornado cada vez mais escassa na região. A falta de incentivo também vem bloqueando a sua produção a cada ano que passa, gerando descrença no agricultor pela queda de sua produtividade.

Uma família composta de cinco pessoas consome mensalmente em média 12kg de feijão, o equivalente a sétima parte do salário mínimo atual. Isto sem se falar nos ingredientes utilizados para transformá-lo num produto realmente comestível. Qualquer receita exige no mínimo um pouco de gordura, sal e alho, além das misturas que devem acompanhá-lo.

Nos últimos meses o valor do feijão disparou devido a problemas climáticos, que prejudicaram a produção do grão. De acordo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), que mede as variações nas s capitais, o preço do feijão subiu 33,49 no ano até maio e 41,62 em 12 meses.

O valor do pacote de feijão nas prateleiras dos supermercados tem chamado atenção e está fazendo muito consumidor mudar de cardápio. O produto segue em alta e já passa de R$10,00 em alguns estados.

Nas redes sociais, a alta do feijão virou piada. “ Troco feijão por lote, feijão transportado em carro-forte, um caroço de feijão dentro de uma caixinha de joias” foram temas de alguns dos memes que tomaram as redes sociais nesses últimos dias. Outros dizem que “ o feijão tá tão caro, mas tão caro mesmo que agora andar com lasca de feijão no dente não é feio, é ostentação kkkkkkk. ”

Um certo restaurante também assim anunciou: self service: Com churrasco R$ 11,99. Com feijão R$ 15,99. Me tira uma dúvida aqui… nos eventos que na entrada é um kg de alimento, quem levar feijão fica na área vip ou open bar???

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