Faltou vaqueiros no desfile de Paramirim

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Faltou vaqueiros no desfile de Paramirim

O desfile de vaqueiros tradicionalmente realizado na tarde de 10 de junho como parte da programação cultural dos festejos em louvor a Santo Antônio, padroeiro de Paramirim, está se tornando cada vez mais descaracterizado. O que antes era privativo para os homens do gibão e do chapéu de couro, agora está aberto para todo mundo que passa a perna em um cavaloe sai por aí a fora galopeando. Já não se tem mais um momento específico para os guardadores do rebanho como se fazia nos anos iniciais dessa apresentação.

Ao que nos parece, o vaqueiro propriamente dito, deixou de existir nos campos e nas fazendas de Paramirim, se tomado esse profissional na sua concepção original. Figura típica do Nordeste brasileiro, responsável pela guarda do gado de uma propriedade, tendo como proteção nas lides que desempenha uma grossa roupa de couro, constituída de gibão, perneiras, peitoral e um resistente chapéu de couro. Tem como companheiro de jornada uma montaria adestrada, auxiliado por um cão preparado para os eventuais e perigosos trabalhos do campo. Não despensa um bom par de esporas, a proteção dos pés, um chicote, o laço, e um facão atravessado na cabeceira do arreio, o resto é o que Deus dá para enfrentar as adversidades da caatinga.

Com essas características e com essa indumentária a figura do vaqueiro praticamente desapareceu dos campos de Paramirim. Ninguém mais campeia o gado como se fazia antigamente, uma vez que todo criatório é feito de forma confinada, sem necessidade de se enfrentar o garrancho para conduzi-lo ao curral. Quatro ou cinco, como reminiscências, podem existir pior aí, sem, no entanto, se identificarem realmente como tais.

Por conta dessa realidade não há mais como se fazer um desfile exclusivamente de vaqueiros nos moldes da concepção original desse evento e da forma como se fazia antigamente. Como não há regras para o jogo, ninguém perde o ensejo de participar da forma e do jeito que mais lhe convier. Aí sim, o desfile de vaqueiro se transformou num arrastão de cavaleiros e amazonas, na maioria deles sem nenhuma identificação com o campo nem tão pouco com o gado.

Nada temos contra, os costumes mudam, como mudam também as concepções dos eventos, mas o que se percebe é que nesse particular o tradicional deixou de existir para ceder lugar às transformações. Se não temos mais o aboio nem a presença física do vaqueiro, por que esse já não existe mais, que venham todos da forma que puderem vir, trajados ou não de couro, mas que tenham uma montaria para compor o elenco da cavalgada de Santo Antônio, não importa se num jumento, numa carroça puxada por um burro, num pangaré ou num cavalo de alto custo.

Que venham todos, por tradição ou por ostentação, mostrar que nas ruas de Paramirim existe espaço para todos no decorrer dos festejos de Santo Antônio. Que venham todos mostrar, apresentar ou exibir as suas montarias de forma elegante, extravagante, ou desengonçada…. Que venham todos curtir o tropel, os relinchos e os galopes. Que venham todos assistir ou presenciar. Tire uma foto, aposte uma corrida, cavalo não gasta combustível nem atropela. Com vaqueiros ou não, mesmo descaracterizado, essa tradição não pode morrer.

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