Faleceu em Paramirim uma de suas matriarcas mais idosas

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Família de Anízia

DA ESQUERDA PARA DIREITA: Anízia Vieira da Silva (06 de abril de 1915 ), Josefina Vieira da Silva Neta ( 26 de março de 1954 ), Maria do Rosário Vieira Saraiva (11 de outubro de 1971 ), Marivania Vieira da Cruz ( 04 de junho de 1989 ) e Andressa Vieira Ramos ( 11 de março de 2011 ).

Por volta das 12 horas da última sexta-feira (11), faleceu no Hospital Aurélio Rocha, em Paramirim, a matriarca Anízia Vieira da Silva, 101 anos, mais conhecida por Anizia da pedreira – uma das poucas trisavós que o destino escolheu para servir de exemplo e de referência a sucessivas gerações.

Anízia Vieira da Silva, residia no Bairro Lagedinho, subúrbio de Paramirim. É filha de Josefina Vieira da Silva e Justino Manoel da Silva, já falecidos. Nasceu na comunidade de Conceição, em 1915. No próximo 06 de abril estaria completando sob as graças de Deus 101 anos. Isto mesmo, mais de um século de existência, o que matematicamente corresponderia a 36.865 dias vividos, ou seja, 884.760 horas, sem contar os acréscimos dos bissextos.

A história dessa senhora difere um pouco da biografia de milhões de outras mulheres brasileiras pelas dificuldades que enfrentou na vida, pela longevidade que alcançou, pela prole que criou, pelo coração aberto que possuía. Ao longo de sua trajetória, trabalhou na roça, frequentou escola, quando menina, por pouco tempo. Foi empregada doméstica, cuidou de filhos alheios e residiu em vários lugares, mas nunca arredou os pés de Paramirim. “ A alegria do alto da Beira da Lagoa”, como lamentou a sua neta Iara.

Na década de sessenta vamos encontrá-la morando na localidade de Pedra do Mocó, onde trabalhou como cavoqueira, como as demais pessoas daquela localidade. Um serviço realmente pesado, principalmente, para mulheres, mesmo assim mourejava o dia todo para sustentar os filhos como mãe solteira. Nessa época, passei a conhecê-la e fizemos amizade que perdurou ao longo de sua vida. Razão pela qual resolvi contar um pouco a sua história.

Se fossemos relatar os fatos acontecidos em Paramirim ao longo de sua vida, seria narrar a própria história local. Com onze anos de idade se estremeceu ao ouvir falar dos Revoltosos; com trinta e dois, escutou um estranho barulho no céu, era a chegada do primeiro avião a Paramirim; cinco anos depois sentiu a claridade da luz elétrica e aos cinquenta e seis se extasiou ao ver e ouvir o produto da televisão. Daí para frente se perdeu no tempo diante das novidades que surgiam, uma após a outra.

A curiosidade maior, entretanto, além da longevidade dessa matriarca, é saber que sua prole hoje é composta de 7 filhos, 33 netos, 55 bisnetos e 05 tataranetos, perfazendo um total de 100 pessoas divididas em 42 homens e 58 mulheres, na sua maioria, residentes em Paramirim. Tudo isso fora os que já se acham encomendados à coitadinha da cegonha.

Dentre os fatos acontecidos em sua vida, destacam-se o falecimento de seu primogênito e de um neto ambos por afogamentos. O primeiro, José Maria da Silva Vieira, ocorrido num tanque do Sertãozinho em 13 de março de 2007. O segundo, Gabriel Vieira, acontecido na Cachoeira dos Balaios na tarde de 09 de janeiro de 2006. Fora isso, nada mais teve a reclamar de sua sorte, senão a perda de alguns parentes e amigos.

Sem outra intenção, senão a de relatar algumas particularidades dessa heroína anônima de Paramirim, para que sirva de referência a outras gerações, costuramos estes retalhos, após ouvi-la com atenção e respeito na manhã de 14 de abril de 2014, pelo fato de ser uma das poucas trisavós existentes de Paramirim. Uma mulher e tanto, no sentido pleno da palavra. Nunca tomou remédio para pressão, comia o que lhe caísse no prato, sem regime e sem etiquetas. Padecia de artrose nos joelhos e se locomovia com auxílio de muletas. Respondia perguntas, emitia ordens e reconhecia qualquer pessoa que passasse à sua frente. Que venham outras Anízia com mais janeiros e com menos sofrimentos para estampar a bravura, a coragem das mulheres nordestinas que, embora no anonimato e na simplicidade, muito têm contribuído para a grandeza do Brasil. Você foi uma guerreira, Anízia, que Deus lhe dê um bom lugar na eternidade.

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