Entrevista com o presidente do Comitê de Bacias dos Rios Paramirim

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Entrevista com Anselmo Barbosa Cayres
nselmo Barbosa Cayres, Presidente do Comitê de Bacias dos Rios Paramirim

O Site Paramirim Eventos entrevista pela primeira vez o Engenheiro Agrônomo Anselmo Barbosa Cayres, Presidente do Comitê de Bacias dos Rios Paramirim e Santo Onofre a respeito do conflito que interrompeu o projeto do Governo Estadual da Bahia para compartilhar as águas da Barragem do Zabumbão com mais seis municípios da região.

Presidente, sabemos que o Sr. foi e continua sendo um duro na queda na instauração e defesa do conflito que barrou oficial e categoricamente o início das obras da chamada “adutora da morte” para estender o compartilhamento das águas do Zabumbão para mais 150.000 consumidores. Explique então para nós o que é um conflito na questão em apreço.

Resposta: A água é um imprescindível recurso natural, considerado como estratégico em razão da sua importância para a vida das pessoas e das sociedades e também por não se distribuir de forma igualitária no globo, havendo regiões que possuem menos e outras mais. Por esse motivo, os recursos hídricos sempre foram motivos, ao longo da história, de debates e disputas. No entanto, o que foi algo em menor grau no passado pode tornar-se a grande tônica do século XXI, que pode presenciar um número sem precedentes de conflitos pela água entre países.

Com o crescimento populacional e, principalmente, com a disseminação da agricultura moderna, a água vem sendo consumida de forma cada vez mais ampla e intensificada. Por outro lado, a poluição e o uso, não sustentável da natureza provocam a diminuição de sua disponibilidade no mundo. O conflito na nossa bacia não foi diferente, a população sentindo ameaçada, em perder o mínimo que temos desse precioso líquido, podendo ocorrer um colapso hídrico, para gerações atuais e futuras, caracterizou de fato o conflito, e como os comitês estão aí para arbitrar, em primeira instancia administrativa, os conflitos relacionados aos recursos hídricos. Nestes termos é que caracteriza o termo conflitos, nada mais claros que ser divergências de usos e prioridades, principalmente na escassez que estamos vivendo.

O Presidente esteve sozinho nessa luta?

Resposta: Não, foi claro o envolvimento da sociedade de um modo geral, desde o pobre ao rico, todos levantaram e arregaçaram as mangas em prol dessa luta, posso aqui enumerar alguns, A Associação dos Irrigantes do Vale do Paramirim, A Câmara de Vereadores, a Frente Popular em Defesa das Águas do Zabumbão, a OAB, comercio local, Loja Maçônica de Paramirim, Irrigantes, poder público municipal, principalmente a Secretaria de Agricultura, onde sou secretário e fui designado pelo Prefeito Municipal de usar todo e tempo como secretário para defender os interesses da população de Paramirim, e também destacando o Comitê de Bacias Hidrográficas dos Rios Paramirim e Santo Onofre, que no seu regimento, é um órgão Consultivo e Deliberativo que legitimou o pleito dentro do conflito, contra o Governo do Estado da Bahia, também destaco o Comitê do São Francisco através da CTIL, acatando a admissibilidade do conflito, e até hoje trabalha neste conflito, a promotoria representada pela Guerreira Dr. Luciana Khoury,  a Imprensa local, e pedimos desculpas caso tenha  omitido alguma representatividade dento deste  processo de mobilização.

Hoje, 29 de abril de 2016, um ano já se passou. O conflito alcançou o fim desejado?

Resposta: Estamos sim a alcançar o fim desejado, a batalha não parou, o Governo do Estado da Bahia, hora nenhuma saciou sua vontade, seus caprichos eleitoreiros sem medir consequências, é sabedor da maioria dos paraminhenses, onde prezo sempre em manter informados a todos o que ocorreu durante os últimos meses, tudo bem que a sociedade civil de um modo geral fez a sua parte e aguarda atentamente o desfecho final.

Como é do conhecimento de V.Sa. a sociedade civil de Paramirim esteve maciçamente presente, através da Frente Popular organizada para defender as águas do Zabumbão, como Sr. avalia o desempenho da manifestação que hoje completa um ano?

Resposta: Avalio Positivamente, foi primordial a participação de todos, hoje não só a Bahia, como também parte do Brasil, é sabedora daquela manifestação popular. A soma dos esforços da sociedade fortaleceu e legitimou as deliberações do Comitê.

Como grande conhecedor da malha fluvial das Bacias do Paramirim e Santo Onofre, quais as alternativas ou sugestões que o Sr. aponta para satisfazer as exigências hídricas da população que seria beneficiada pelo projeto do Zabumbão?
Resposta: Primeiro, seria primordial, fazer o plano de bacias, isso daria a condição de verdadeiramente conhecer de fato a malha fluvial (que apesar de não termos uma malha fluvial, temos rios intermitentes). Em relação as ações, existe milhares, que poderia apontar, como recuperação das nascentes e das APAs (Área de preservação Ambiental), tratamento de esgotamento sanitário, modernização da irrigação a montante e a jusante da Barragem do Zabumbão, construção de barragens, entre tantas que o plano nos sintonizará, e a principal que é a conscientização da população em usar esse liquido tão precioso ecologicamente correto, finalizando consciência aos gestores em fazer as coisas corretas.

Que recomendações o Sr. daria aos pequenos e médios irrigantes do Vale do Paramirim no tocante ao uso adequado das águas do Zabumbão?

Resposta: Primeiro, que se uma entre eles, se organize, faça valer o seu direito como irrigantes, cobre do Governo do Estado da Bahia, a modernização do sistema de irrigação, cobre a regularização fundiária, cobre a liberação das outorgas, e nunca aceite de quem quer que seja, que eles são os responsáveis pelo desperdício de água na bacia do Paramirim, como também ficar atento que por cobrança do Comitê está saindo o plano de Bacias,   contratação de urgência urgentíssima que dizendo que na história de comitê nunca existiu uma contratação como a do Paramirim e Santo Onofre, em caráter de urgência urgentíssima, teremos que mobilizar, para que o plano contemple todos os anseios de  mudanças necessárias para o fortalecimento da agricultura familiar em nossas bacias.

Presidente, o Site Paramirim Eventos, sempre atento aos acontecimentos sociais, agradece os esclarecimentos de V.Sa. mas antes do encerramento, gostaríamos de contar com a sua mensagem final para todos os paramirinhense que confiam e reconhecem o seu trabalho.

Resposta: Primeiro, agradecer a oportunidade de nos oferecer esse espaço, para que possamos comunicar a todos o trabalho, como secretário Municipal de Agricultura e representando no comitê segmento Público municipal indicado pelo Prefeito Dr. Júlio, para representa-lo, hoje ocupo uma vaga eleita em plenária neste segmento, dando a condição de ser eleito por unanimidade como Presidente do Comitê de bacias Hidrográficas dos Rios Paramirim e Santo Onofre, credenciando também a ser escolhido ao cargo que ocupo no Fórum baiano de Comitês, de Coordenador adjunto, e ontem assumindo uma cadeira da câmara técnica do Conselho Estadual de recursos Hídrico-CONHER. Aos membros do comitê, agradecer a confiança depositada em meu trabalho, a população das duas bacias e em especial aos nossos conterrâneos de modo geral, por ter extrema confiança em meu trabalho, respeitando em todos os momentos de dificuldades, onde tivemos o embate contra o Governo do Estado da Bahia. Ao gestor Municipal em disponibilizar recursos, o meu tempo como secretário, para podermos fazer a trabalho na Bahia e no Brasil, defendendo o Zabumbão das garras do Estado, querendo fazer projetos sem nenhuma sustentabilidade hídrica, econômica e social, colocando em risco toda a população do Vale do Paramirim. Finalizando, dizendo que fico triste, que hoje faz um ano que o comitê vem tentando um conciliação através do conflito instaurado na CTIL/SF, e o Governo do Estado da Bahia, se comportou como já se esperava, com imaturidade, sem comprometimento, e pior do que isso sem profissionalismo, ao ponto se quer, de apresentar nenhuma informação ao projeto que nos desse a confiança de dizer que o mesmo não colocaria em risco as populações atuais e futuras, nada, nem o pedido de Outorga  nestes doze meses foi protocolado na ANA, tentamos, esforçamos, mas não deu. Aguardamos agora, confiante no relatório final na Câmara Técnica, Institucional e Legal do Comitê do são Francisco.  Esperamos que o estado não venha responsabilizar a População de Paramirim e o Comitê que não fez a Adutora, foi porque não deixamos, a responsabilidade é exclusiva do Governo do Estado da Bahia, o relatório final do conflito irá dizer tudo.

Respeitosamente,

Anselmo Barbosa Caires
Presidente do Comitê das bacias dos Rios Paramirim e Santo Onofre-CBHPAO
Coordenador Adjunto do Fórum Baiano de Comitês-CFBCBH
Membro da Câmara técnica do Conselho Estadual de Recursos Hídricos-CONHER

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