Desta vez a banda não tocou

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Filarmônica de Canabravinha
Componentes da Lira Nossa Senhora das Graças

Pois é seu Zé Martins da Gameleira! O senhor que é filho de Seu João Martins, também filho da Gameleira, que por sua vez era irmão de Dona Mariquinha de Gustavo, eterna moradora da Beira da Lagoa, onde nasci e passei grande parte de minha vida. O senhor que é pai de Toninho da Farmácia e sabe muito bem o que pensa e o que deve dizer. O senhor que também é conterrâneo do Padre Nicivaldo, um dos próceres mais queridos de Paramirim. O senhor que também é tocador de trombone da Lira Nossa Senhora das Graças, sabe muito bem onde quero chegar. Sessenta e dois anos de casado e bem casado com Dona Dulce e sessenta e quatro de existência da Banda de Canabravinha. Sua fala repercutiu em Paramirim.

Dizem que as palavras voam e os escritos ficam, mas desta vez as próprias palavras ficaram, porque as verdades têm raízes, crescem e germinam, mesmo nos terrenos mais adversos e nas circunstâncias menos favoráveis. O senhor sabe o que estou falando. Em hipótese alguma quero desmerecer a ninguém…

Quero dizer apenas que os romeiros de Nossa Senhora das Graças (os verdadeiros romeiros) sentiram a ausência da querida filarmônica nos momentos iniciais da festa deste ano, principalmente na entrada e durante a celebração da missa noturna. Não podemos deixar morrer esta tradição, já sexagenária, como o senhor mesmo disse. “Mais do que nunca é preciso dar as mãos e aglutinar esforços para torná-la cada vez mais forte, mais merecedora do nosso crédito e da nossa admiração”.

A relação de valores entre a festa e a banda de Canabravinha é uma relação de mãe e filha. Ambas se completam, não apenas por serem conterrâneas. Não tão somente porque são valores da mesma comunidade, mas, sobretudo, porque uma e outra abrigam o nome de sua entidade maior, NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS, padroeira da vila e do distrito.
Todo mundo sabe que a festa de 02 de fevereiro secularmente tradicional é um dos eventos mais concorridos da região, como bem prova o número de pessoas que comparece nesse evento, sempre crescente a cada ano, por isso não pode haver retaliações por parte da comunidade, das instituições e muito menos dos poderes públicos no que tange a qualquer particularidade do seu contexto por ser uma festa de todos nós.

Se todo mundo queria ver e ouvir a Lira Nossa Senhora das Graças tocar como sempre tocou em todas as etapas da festa de sua padroeira, por que então não tocou? Razões devem ter os seus integrantes para justificar esta ausência. Em hipótese alguma, quero entrar no mérito desta questão. Creio eu, tratar-se de uma questão passageira, e que dentre em breve a “Bandinha” volte a tocar, sem nenhum constrangimento. Para que uma comunidade possa se tornar cada vez mais forte e unida, é necessário a convivência salutar entre todos os seus componentes.

Canabravinha para os canabrivinhenses e a sua lira para todos os momentos, eis a solução. É hora de sentar-se para pôr os pingos nos i, analisar com muita ponderação o que estar por vir. Ouvir sempre as pessoas de bom senso. Não se deixar levar pelo oba-oba e, sobretudo, cobrar de quem tem as devidas obrigações para com a sociedade, como bem disse o nosso querido sacerdote. A desarmonia temporária de um grupo pode ter causas remotas ou recentes, isto é inegável. Todo problema é passível de solução. Nunca deve prevalecer o erro, principalmente das autoridades constituídas, estas deveriam ser ( e muitas vezes não o são ) a pedra de toque da sociedade e não o tijolo escorregadio das falanges privilegiadas.

A Lira Nossa Senhora das Graças não é de ninguém. É de todos que sempre tiveram a boa vontade de lutar por ela, de querer ouvi-la, de admira-la, mas os seus integrantes precisam ser melhor valorizados e respeitados também nas suas decisões. Por isso quero vê-la sempre de pé, tocando a valsa Terezinha, o dobrado do Quarto centenário, as marchinhas carnavalescas, o Hino Nacional Brasileiro como sempre fez com arte e bom gosto até aqui. O pedido do senhor Augusto Brasil e a exortação do Padre Nicivaldo haverão de dar bons frutos. Haverão de remover a discórdia do coração daqueles que só têm palavras da boca para fora.

Ninguém faz cultura com retaliação, ninguém faz justiça com dois pesos e duas medidas. Oxalá que em breve o estribilho dos metais, da tuba, dos trompetes, dos clarinetes, do rataplã dos tambores, da Lira Nossa Senhora das Graças voltem a marcar presença em todos os eventos do município de Paramirim, independente de quaisquer circunstâncias, para alegrar o coração de todos nós, como eternos admiradores que somos.

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