Deocleciano Ribeiro de Azevedo (Doca)

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Deocleciano Ribeiro de Azevedo (Doca)
Deocleciano Ribeiro de Azevedo

Na árvore genealógica dos Ribeiros de Magalhães presentes desde o final do século XVIII no Vale do Paramirim, o Sr. Deocleciano Ribeiro de Azevedo figura-se como trineto do Capitão Luís Ribeiro de Magalhães, dono primitivo da Fazenda Cachoeira, localizada a meio caminho de Água Quente (Érico Cardoso) e Paramirim, antigo Arraial do Ribeiro.

Era filho de Joaquim Ribeiro de Azevedo (Seu Quincas da Cachoeira) e Eurinda Magalhães Azevedo (Pequena), sendo esta também trineta do capitão Luís Ribeiro e primos carnais entre si.

Nasceu Deocleciano no Sitio Angico de propriedade do seu avô paterno Eustachio Ribeiro de Azevedo, um dos primeiros cidadãos a possuir veículo no município de Paramirim, em 22 de maio de 1922, ano memorável do primeiro centenário da Proclamação da Independência do Brasil.

Casou-se civilmente em 04 de fevereiro de 1950 com Crescência Leão de Magalhães, que após o matrimônio passou a se chamar Crescência Magalhães Azevedo, também descendente do Capitão Luiz Ribeiro e filha legítima do Coronel Hermenegildo Ribeiro de Magalhães, mais conhecido por Cel. Melé, proprietário da Fazenda São João.

Estreou na vida política com apenas 25 anos de idade, tendo seu batismo de fogo ocorrido no pleito de 21 de dezembro de 1947, quando se candidatou e se elegeu vereador pela União Democrática Nacional (UDN), com 87 votos, sendo o mais votado do seu partido o cidadão Erico Cayres Cardoso com 169. Neste pleito elegeu-se prefeito o Sr. Adolfo Brandão de Magalhães da mesma legenda, que na época gozava da prestimosa liderança do Coronel Francisco Brasil Rodrigues da Silva, lembrando-se que a posse dos eleitos se deu em 30 de janeiro do ano seguinte, conforme legislação da época.

Volta a se candidatar no pleito de 03 de outubro de 1950 pela mesma sigla partidária, ocasião em que se elege prefeito de Paramirim o aguaquentense Erico Cayres Cardoso empossado em 07 de abri de 1951 numa cerimônia bastante concorrida. Como vereador o Sr. Deocleciano ocupou no período de 1951 a 1955 importantes cargos na mesa Diretora da Câmara de Paramirim. Foi alternadamente primeiro secretário, segundo tesoureiro e vice-presidente.

No pleito de 03 de outubro de 1954 submete novamente o seu nome para apreciação popular, mas perde as eleições por uma pequena diferença de votos. O destino quis que assim acontecesse, mas o seu prestígio perante o grupo e o seu conceito de cidadão honrado o fizeram merecedor do crédito e da confiança do prefeito eleito. Assim, Deocleciano é convidado para ocupar o cargo de tesoureiro da prefeitura municipal de Paramirim durante a gestão do Sr. Ulysses Cayres Britto, gestão esta, considerada como uma das mais transparentes de toda a história do município, não somente pela honestidade do seu administrador, como pela lisura e responsabilidade dos funcionários que integravam o seu governo.

Em 1958, volta a se candidatar desta feita pelas cores do Partido Republicano (PR), que na época se achava sob a liderança do saudoso Deputado Federal Dr. Manoel Novaes, cuja influência política muito marcou o destino do cidadão Deocleciano e vários outros paramirinhenses.  Por insuficiência de votos, perde a sua quarta eleição. Abrimos aqui um pequeno espaço para ressaltar que o pleito de 03 de outubro de 1958 foi e será sempre lembrado na história de Paramirim por algumas marcas de ordem social que o mesmo deixou. Foi a eleição pela qual o eleitorado de Água Quente e Rio do Pires participou pela última vez com domicilio em Paramirim. Por este pleito o Cel. Francisco Brasil perde definitivamente a sua hegemonia a nível municipal. Foi também o pleito em que pela primeira vez na história local dois partidos se coligaram para disputar uma concorrida eleição municipal, cuja vitória coube ao comerciante Manoel Flávio Barbosa do PSD.

Para melhor compreensão da trajetória de vida do Sr. Deocleciano e dos incontestáveis serviços por ele prestado à sua terra natal, ressaltamos que em 15 de novembro de 1959, inaugura-se em Paramirim a residência da Comissão do Vale do São Francisco sob o patrocínio do Deputado Novais e de outros políticos atuantes no município. É de se lembrar que na plêiade dos cidadãos paramirinhenses convidados para compor o seu quadro de funcionários figurava-se o nome do Sr. Deocleciano Ribeiro de Azevedo. Após a desativação da unidade da CVSF de Paramirim, em meados da década de sessenta, o Sr. Deocleciano, acompanhado de sua família muda-se para a cidade de Bom Jesus da Lapa, ali permanecendo como funcionário da antiga comissão do Vale do São Francisco, hoje CODEVASF, o tempo suficiente para conquistar de forma merecida a sua aposentadoria por tempo de serviço.

Sem esquecer as suas origens, uma vez desligado de suas funções empregatícias, no final da década de oitenta, o Sr. Deocleciano retorna a Paramirim e passa a residir no histórico casarão da Praça Santo Antônio, outrora pertencente aos familiares de sua esposa.

No início da década de noventa, ou mais precisamente em 01 de janeiro de 1993, quando o Dr. Gilberto Martins Britto assume por votação direta o cargo de prefeito de Paramirim o senhor Deocleciano foi um dos primeiros a ser nomeado para um dos mais importantes cargos de sua administração. Exatamente o mesmo cargo que ele ocupou com distinção e lisura comprovadas no governo do seu inesquecível pai – Ulysses Cayres Britto – no quatriênio 1955 – 1959.

É de se ressaltar que a dinâmica da tesouraria municipal de Paramirim, já não era tão elementar como na década de cinquenta. Já não era mais uma simples tesouraria, mas uma versátil secretária de finanças envolvendo uma contabilidade muito complexa em função da chegada da informática, bem como do aumento crescente das rendas e dos recursos administrados e o tamanho da máquina administrativa no tocante as obras e o quadro de funcionários já existentes. Além do mais, a soma dos anos vividos de forma exemplar pelo Sr. Deocleciano já não lhe facultava o desempenho com habilidades das atividades exigidas por este cargo, apesar da vasta experiência adquirida ao longo de sua carreira profissional.

Dessa forma, descrevemos aqui um pouco da vida do cidadão Deocleciano Ribeiro de Azevedo e dos seus serviços prestados no decorrer dos seus 94 anos vividos em perfeita consonância com a sua família, com os seus amigos, com os seus correligionários, com os seus colegas de trabalho, com os seus concidadãos. Muito mais teríamos que abordar não fossem os limites do tempo e da tolerância dos nossos leitores, principalmente nas circunstâncias do momento em que traçamos essa ligeira biografia.

Na tarde deste domingo, 05 de junho de 2016, data em que universalmente se comemora o dia do meio ambiente, o Sr. Deocleciano deixa a sua querida Praça Santo Antônio, ora ornamentada para comemorar a festa do seu padroeiro, mas agora, em luto pela perda de um de seus moradores mais ilustres. Agora, órfã de um de seus filhos que muito fez por merecer os anos de vida que teve, pela conduta social que marcou a sua trajetória de trabalho, pelo legado que deixou para a sociedade paramirinhense. Um sertanejo que nasceu na roça, criou na cidade, mas deixou atrás de si um rastro positivo pela forma de vida que viveu.

À família enlutada, hoje representada pela sua esposa D. Crecência (in memoriam), pelos seus filhos Joalce Terezinha, Ângela Rúbia, Ivete, Iara, Fernando Lúcio (in memoriam), Luciano, Renê, Dalmo e Gilmar Magalhães Azevedo, pelos seus genros e noras, pelos seus netos e bisnetos, deixamos aqui registrados os nossos cincerros votos de pesar por conta do passamento de um ente tão querido, respeitado e por que não admirado, na constelação dos próceres de Paramirim.

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4 COMENTÁRIOS

  1. Prezado escritor dessa biografia,
    Primeiramente gostaria de parabenizá-lo pela iniciativa dessa obra tão bela. Para mim, neta de Deocleciano e filha de Ângela Rúbia, significa a delicadeza de uma homenagem que descreve com clara consideração a vida do meu amado avô.
    Preciso agradecê-lo pelas palavras aqui muito bem colocadas sobre a trajetória dele no município de Paramirim.
    Gostaria de complementar que nos sentimos muito honrados por carregar esse legado deixado por ele. Nunca poderemos agradecê-lo por tudo que significou para nós.
    Temos orgulho imenso por fazermos parte da sua descendência.
    Peço a Deus que agora ele esteja junto ao Pai e aos seus entes queridos aqui da terra que, como ele, já completaram missão aqui na Terra.
    Meu sincero agradecimento!
    Rejane

  2. Prezada Rejane:
    Muito agradeço-lhe pelos elogios tecidos à curta, sincera e verídica homenagem que fiz ao seu avô, por ocasião do seu passamento,
    que em verdade deixou a nossa Paramirim órfã de mais um dos seus ilustres filhos. Talvez, você não me conheça pessoalmente, mas
    a Sra. sua mãe, Ângela Rúbia, Ivete, Renê, Joalce e outros me conhecem. Tive o prazer e a honra de ser um modesto professor de
    quase todos os seus tios. Sobre o nosso biografado, sei muito bem das suas qualidades, pois o conheci como funcionário da
    CVSF e com ele tive boas conversas na loja de Calu, em Paramirim. Acrescento-lhe que dentre as 100 biografias escolhidas para
    compôr o meu livro sobre os próceres de paramirinhenses, seu avô será um dos premiados com essa distinção
    Um forte abraço, Professor Domingos

  3. Em primeiro lugar, o meu muito obrigada pela merecida homenagem ao meu tio Doca, Professor! Parabéns pelo texto tão didático é tão bem escrito! Um abraço terno e grato!

  4. Caro redactor,
    Já há algum tempo que estou a fazer pesquisa sobre a origem genealógica do meu sogro, Albel Alves de Assis – 81anos. Ele, tem me relatado desde muito toda a história de seus antepassados, que moravam nessa região, eram proprietários de uma fazenda, São Domingos. Ele conta muitas histórias que fazendo pesquisas consegui comprovar a veracidade. No entanto, resta um elo de ligação entre os antepassados e meu sogro que ficou perdido quando os avós saíram do Arraial dos Ribeiros e foram para São Paulo juntamente com os filhos. Hoje, tenho alguns nomes, apelidos e muitas histórias comprovadas. Mas restam algumas informações para fazer a árvore completa.
    Também, moramos em Porto – Portugal é para fazer esta pesquisa em loco seria bem mais difícil. Gostaria, se possível, que me ajudassem a fazer estes levantamentos.
    Grata,
    Daya

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