Denúncia: Adolescentes pescando nos esgotos da lagoa de Paramirim

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Lago de Paramirim
Lagoa de Paramirim

Ao dar um giro pela orla da lagoa no último domingo, 24 de janeiro, dois fatos catalisaram minha atenção. O primeiro deles me levou a sentir o quanto a natureza tem sido generosa para conosco na hora em que mais precisamos. Com apenas uma semana de chuvas tudo se regenerou ao redor desse patrimônio. O volume das águas aumentou e várias espécies de palmípedes que há muito não se via, voltaram a marcar presença no seu leito, nos fazendo lembrar os velhos tempos de outrora, quando ao sair do sol no seu entorno concentrava-se toda sorte de viventes para se buscar o refúgio, mitigar a sede e a fome em diferentes estações do ano.

O segundo ponto, refere-se a um fato totalmente diferente do primeiro. Porque não dizer totalmente constrangedor. Enquanto dezenas de pessoas caminhavam pela sua orla aproveitando o sol morno do cair da tarde, três ou quatro adolescentes despercebidamente embalados pelos suaves braços da inocência jogavam o anzol dentro d’água procurando fisgar um peixe, uma piranha, uma tilápia, quem sabe um filhote de traíra para uma discreta refeição. Até aí tudo bem, ou quase tudo…

O constrangedor do fato decorre do local por eles escolhido, ou seja, exatamente a parte da lagoa por onde entra a maior e a pior rede de esgoto para ela carreada, local este impregnado de um mal cheiro insuportável. Será inocência mesmo? Quem sabe desconhecimento do perigo, falta de advertência ou ainda descuido da família, da escola e sobretudo das autoridades que cuidam do saneamento básico do município.
O esgoto a que me refiro passa pelo bairro São José, recebe excrementos e resíduos de toda natureza, inclusive de um dos hospitais da cidade de Paramirim, tudo a céu aberto na sua parte final, sem nenhum tratamento adequado, sem nenhuma advertência quanto ao perigo, como se tudo ali estivesse a mil maravilhas.

Se uma pesquisa desencadeada fosse para se questionar quem comeria ou deixaria de comer um exemplar de qualquer peixe pescado na lagoa de Paramirim, com certeza a grande totalidade das respostas seria não, até porque esta indagação eu mesmo já procurei fazer e a resposta sempre foi pela negativa. Salvo me engano alguém até respondeu: “ Só comerei se souber que não for da lagoa ”.

Isto prova a negligencia e o repúdio generalizados que existem entre nós pelas coisas do mais belo cartão postal de Paramirim, no seu estágio atual. Belo por fora, mas inteiramente podre por dentro, como muito bem ficou evidenciado no desastre ecológico nele acontecido recentemente, marcado pela fedentina no local a se espalhar pelo centro da cidade e na mortandade de peixes ocorrida no seu leito.

Qual o cristão que tem a supimpa coragem e o gigantesco apetite de saborear o molho de um pescado, sabendo ele que há menos de uma hora o seu cardume nadava numa fossa a céu aberto, totalmente impregnada de coliformes fecais. Só se for por extrema necessidade ou tomado pelo vacilo da ignorância, mesmo sabendo que cada indivíduo tem a sua natureza.

Não sei dizer exatamente quais as consequências danosas para a saúde ou mesmo para o astral de qualquer pessoa, principalmente de um adolescente que, involuntariamente fica em contato direto com uma realidade desse tipo, ou seja, se divertir pescando no deságuo de um bueiro ligado a diversos vasos sanitários, cujo conteúdo das descargas vai infalivelmente compor o volume das águas onde o inocente pescador se encontra a mercê do ridículo.

Fica aqui, pois, registradas estas considerações ou esta denúncia conforme citei no cabeçalho desse artigo para que o meu público leitor também se desperte para esta realidade e tantas outras que por aí a fora existem com maior ou menor ameaça à saúde, ao bem-estar e à qualidade de vida de todos nós. Do contrário, até posso dizer que quem cala consente.

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