Comentando as chuvas de janeiro

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Presença da chuva na paisagem urbana de Paramirim
Chuva em Paramirim

Em se tratando de chuvas, o ano de 2016 já marcou significativa presença no calendário do Vale do Paramirim como um dos mais generosos. Olha que ainda estamos apenas no começo e o que caiu de água até agora já está de bom tamanho. Nada temos a lastimar, São Pedro já fez a sua parte. Como diz o sertanejo, a misericórdia divina quando tarda vem em bom caminho, cabe agora o homem fazer a sua.

Inserido no polígono das secas, o município de Paramirim tem o seu período chuvoso distribuído entre os meses de novembro a fevereiro com uma precipitação média anual pouco expressiva. Apesar de ser cortado por um dos maiores afluentes da margem direita do São Francisco, seu território é um dos mais secos da região, apenas para lembrar um pouco de suas características geográficas.

Pelo que vimos até o momento, os recentes aguaceiros caídos, pode se dizer em quase todo Estado da Bahia, nos fazem lembrar o inverno de janeiro / fevereiro de 1992, o qual deixou diversas marcas na história de Paramirim, dentre elas o rompimento do açude do Zabumbão, o desmoronamento das torres da matriz de Santo Antônio, além de diversos estragos na economia do município.

É de se lembrar que o sertanejo sempre esteve com um pé na frente, outro atrás em relação ao mês de janeiro, por considerá-lo um dos mais ensolarados do ano. Desta vez aconteceu exatamente como foi em 1992. As copiosas chuvas já carimbadas até aqui, sem causar grandes transtornos, também já deixaram as suas marcas com alguns recordes.

Todos os tanques e pequenas barragens da zona rural já estão empanturradas, riachos que há muito não davam sinal de vida, mostraram serviços, a grande lagoa da Tabua transbordou-se e no gigante do Zabumbão o nível do lago ultrapassou as marcas de 2015, alcançando na data de hoje (31 de janeiro) a cota de 39.000.000 m³. É de fato uma benção divina que nos dá a tranquilidade de não faltar o precioso líquido por um bom período.

Quem não se lembra do calor insuportável dos meses anteriores, do desânimo que nos consumia, do sofrimento do homem do campo e da falta de perspectivas de cada um de nós diante do imprevisível. Tudo agora mudou. O verde intenso da paisagem, o retorno dos pássaros, a esperança de se colher alguma coisa nos dão a certeza de que no sertão ainda é o melhor lugar de se viver.

Para sermos mais precisos, lembramos que os primeiros pingos chegaram despercebidamente na véspera do Santo Reis e que daí para frente, ora aqui, ora acolá, o molhado foi se estendendo em todas as direções até se tornar um abençoado aguaceiro presente por quase duas semanas consecutivas. Brevemente, teremos o retorno das melancias, do maxixe e dos umbus, do feijão verde e dos requeijões, sem falar na fartura de águas para tranquilidade de todos os sertanejos.

Ressaltamos que o fato mais preocupante aconteceu na comunidade de Santana quando na tarde de quarta-feira (27) uma barragem ali existente esteve prestes a romper pela força das águas que também ameaçavam invadir algumas residências da localidade, fato que não se concretizou graças à intervenção de uma retroescavadeira acionada para improvisar um novo sangradouro.

Baseado nos dados fornecidos pelo Sr. José Silva Sobrinho, morador em Lagoa da Palha, durante o mês de janeiro choveu 364 milímetros nesta localidade, registrando-se o recorde no dia 26 com 58 milímetros.

Parabenizamos as redes sociais pela ampla cobertura dada aos acontecimentos, informando em tempo hábil tudo que se passava em cada localidade, ora se alegrando pelo retorno das chuvas, ora informando o perigo da força das águas, ajudando assim, através de centenas de repórteres amadores a registrar diferentes detalhes dos acontecimentos.

O que nos resta agora é agradecer a Deus e aproveitar da melhor forma possível a terra molhada e torcer para que o nosso sofrido sertão volte a ser contemplado nos meses subsequentes com as mesmas bênçãos desse inesquecível janeiro, considerado um dos mais generosos dos últimos anos.

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