Clareando os apagões

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Clareando os apagões
Apagão em Paramirim

Um simples apagão de duas ou três horas não é um bicho de sete cabeças. Não é por isso que vamos admitir que a vida entrou em colapso e que o mundo se acha em pandarecos. Claro que não. Muitos vivem em eterna escuridão, nem por isso perdem o sorriso do rosto nem o encantamento de viver.

Para os que vivem na cidade ou mesmo no campo, pode até ser um tormento. Quando a divina energia vai embora, carrega consigo, na mais das vezes, uma boa fatia da nossa comodidade. Em outras palavras, ficamos perdidos na noite, sem rádio e sem notícias, quase que longe da terra civilizada. Por que não dizer um tanto frustrados por termos de conviver com uma situação inesperada.

Geralmente, os apagões não são anunciados. Pega o consumidor de surpresa, às vezes num momento em que ele se acha totalmente desprevenido. Não há como se preparar para o inesperado. Foi assim que me senti no início da noite de ontem. Totalmente limitado quando tive minhas possibilidades suspensas temporariamente por conta do Blackout que a Coelba nos impôs não se sabe por qual motivo.

Acontece que tudo ou quase tudo gira no mundo de hoje em torno das chamadas tecnologias e a energia elétrica é o combustível, sem dúvida alguma, que alimenta grande parcela daquilo que usufruímos em termos de progresso.

Não há como calcular os prejuízos e transtornos causados por três horas de apagão em qualquer cidade, não importa o seu tamanho. Por mais prevenidos que sejamos, há sempre algo que vai nos deixar constrangido.

Na rabadilha dos apagões pegam carona os inconvenientes do ocasional a depender daquilo que fazemos ou da situação em que nos encontramos. Isso sem falar na grande ansiedade que nos apossa. A todo momento perguntamos a nós mesmos: será que horas vai voltar, o que aconteceu, será onde tudo começou…. No meio desses questionamentos sem respostas, somados à privação, mesmo que temporária, de nossas regalias, vem a frustração, a angústia e o estresse.

Imaginem uma sexta-feira, dia tradicionalmente considerado aziago, após uma árdua jornada de trabalho, se sentir desprotegido numa cidade totalmente às escuras. Aí então você dar contas que o seu celular está descarregado, que o sinal de Internet e telefone pifou, que a padaria baixou as portas, que o portão eletrônico não vai abrir, que na gaveta não existe mais velas, vão faltar o micro-ondas, o chuveiro e que o trânsito está paralisado por que um pouco mais na frente o carro de alguém está com o pneu furado. Aí então você percebe que por tão pouca coisa sua vida se transformou num caos, tudo por conta de um simples apagão.

Ora meu amigo, não se desespere à toa. As borrascas passam, 0s Blackout também. Não é por isso que vamos lastimar a vida. Em situações semelhantes, procure manter a calma porque mais tarde você terá uma boa história para contar.

Lembre-se que adversidades existem e que existem situações bem piores. Pessoas com mais problemas e dificuldades. Não podemos viver eternamente numa zona de conforto. Dizem que o homem Feliz não tinha camisa. Procure conhecer essa história e a sua razão de ser. Trocam-se os pneus, acendem-se as luzes, recarregam-se os celulares. Há situações, entretanto, irremediáveis. Pense nisso!

Pense também que a noite é a companheira inseparável do dia, nasceu para ter estrelas no céu, para paparicar a lua por trás das verdes matas. A noite foi criada para conduzir a brisa, aconchegar a natureza, pintar com suas cores prediletas o firmamento. A noite não é tão somente um barco de prazeres nem um imenso leito da ansiedade. A noite existe para se contrastar com o dia e os dois se revezam numa sucessão continua, harmoniosa e eterna, nem por isso damos contas que a nossa vida é passageira.

Ninguém pede para que ela chegue na hora que marcamos. Nem é preciso dizer vá embora porque o dia já vem. Somos meras marionetes dentro do seu contexto. Esbravejamos diante do inusitado e esquecemos de dar a gorjeta quando tudo vai bem. Somos substancialmente seres que na mais das vezes se perdem dentro de nós mesmos e não temos alternativas para sairmos das encrencas que criamos, apenas porque somos seres criativos, sujeitos a determinados impulsos e impossibilitados de reagirmos perante os apagões da vida.

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