Cesta do Povo de Paramirim é desativada

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Cesta do Povo de Paramirim é desativada
Inauguração da Cesta do Povo no Bairro São José

Na histórica relação intitulada “ Paramirim a cidade do já teve ”, criada e divulgada tempos atrás pelos críticos da história local, podemos incluir também o fechamento da Loja Cesta do Povo por conta da operação desmonte que o governador Rui Costa instalou desde o início de sua administração no estado da Bahia. Não bastasse a EBDA (Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola), agora, lá se foi a cesta com todo o seu conteúdo. Ainda bem que ficaram as águas do Zabumbão.

Não queremos abordar aqui as razões ou as ingerências que motivaram a desativação desse programa, nem tão pouco dizer se o mesmo valeu ou não valeu a pena existir. Deixo por conta dos entendidos do assunto, se é que alguém venha se interessar por isso. Queremos apenas dizer que o mesmo foi criado em 1979. Ao longo de sua existência, passou por Waldir Pires, Nilo Coelho, pelos carlistas (na época), João Durval Carneiro, Imbassahy, Paulo Souto, Cesar Borges e o próprio ACM, pelo petista Jaques Wagner, (duas vezes) e agora tem o seu atestado de óbito assinado pelo também petista (até Dilma cair) Rui Costa.

Ressaltamos também que o programa Cesta do Povo mantido pela EBAL (Empresa Baiana de Alimentos S/A), chegou a Paramirim graças aos esforços do prefeito José Barbosa Leão. Foi festivamente inaugurado com a presença de várias autoridades e uma grande massa popular em 27 de setembro de 1992, sendo na época govenador do estado Dr. Antônio Carlos Magalhães e secretário da agricultura Dr. Walter Baptista. Foi aberta ao público às 8 horas da manhã do dia seguinte (segunda-feira) com apenas 33 itens expostos à venda, mas com 30% mais barato em relação ao preço de varejo no comercio local.

Como é do conhecimento de muitos, a loja funcionou inicialmente no bairro São José, no antigo prédio do CASEB (Companhia de Armazéns Gerais e Silos do Estado da Bahia), para este fim restaurado e adaptado, o mesmo onde hoje funciona o Centro Cultural Dr. Nabor Cayres de Brito, localizado na praça Dr. Custódio Septimus Ferreira da Silva.

No ato de sua inauguração, tive a oportunidade de saudar os presentes, em nome dos moradores do bairro contemplado, em agradecimento ao benefício recebido, o qual na época de sua criação era o de simplesmente vender mais barato os principais produtos da cesta básica, funcionando também como órgão regulador de preços no Estado, uma vez que o aumento constante da infração corroía o bolso dos baianos de todas as categorias sociais.

Após passar mais de oito anos no endereço primitivo, a Loja Cesta do Povo de Paramirim muda para a Rua Dr. José Bernardino de Souza Leão, praticamente no centro da cidade, sendo reinaugurada no dia 10 de fevereiro de 2001, desta vez sem festa, sem a presença de autoridades e sem discurso, mas com um novo formato, semelhante a um supermercado mantido pelo governo vendendo produtos (inclusive bebidas alcoólicas) totalmente estranhos ao projeto inicial de sua criação.

Dependências internas da Cesta do Povo de Paramirim após sua reinauguração

Em 2007, quando o governador Jaques Wagner (primeiro mandato) assume o comando da Bahia, encontra a EBAL totalmente falida, sem crédito, sem estoque, sem clientes nas suas lojas e com um rombo de mais de R$ 300 milhões de prejuízos (A Tarde, 07 de janeiro de 2007), numa evidente prova que a máquina administrativa do estado não opera somente em benefício do povo, mas também para desviar recursos para fins obscuros como foi recentemente comprovado nos escândalos da Petrobras.

Como a Cesta do Povo se sustentou daí para cá, não sabemos. Mas com certeza, os prejuízos se multiplicaram, prova disso é que o programa não pôde mais se sustentar nem manter os seus compromissos perante fornecedores e clientes. Sua logística falhou, apesar dos milhões gastos com divulgação. Seus fins sociais não foram cumpridos e como uma “batata quente” acabou caindo nas mãos do atual governo do Estado, que sem outras alternativas para garantir a sua sustentabilidade optou-se pela sua extinção e como um carrasco de sangue frio levou as suas vítimas ao cadafalso e de uma em uma colocou seu pescoço à forca.

No último sábado (02 de abril) foi a vez da loja de Paramirim. O estabelecimento abriu apenas para angariar alguns trocados. Sem mercadorias, sem motivação, sem preços, sem clientes e, principalmente, sem bater sequer um prego em benefício do progresso de Paramirim suas portas se fecharam definitivamente. Lá se foi mais um sonho dos baianos, lá se foi mais um projeto que não deu certo, lá se foi a fonte de trabalho para muitas famílias, que certamente agora terão que lutar pelos seus direitos ou sofrerem os estigmas da retaliação, como já está constatado em outros órgãos também desativados.

Cesta do Povo de Paramirim, agora fechada definitivamente
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