Casarões do Sítio Pé do Morro

2
4205
Casarão do Sítio Pé do Morro - Paramirim
Casarão do Sítio Pé do Morro – Paramirim

Os casarões do Sítio Pé do Morro continuam no anonimato. Pouco ou quase nada se sabe a respeito de sua história, certamente rica de detalhes e curiosidades, difícil de ser resgatada por falta de registro, como tantos outros do acervo arquitetônico local corroídos pelo tempo. Os poucos que ainda conhecem os seus pormenores não se dispõem a descreve-los. Faltam os interessados.

A sensibilidade e a compaixão tão somente não são suficientes para torná-los historicamente conhecidos. É preciso antes de tudo trabalhar a sua memória, mesmo de forma elementar, como estou a fazer agora, antes que o véu da noite caia definitivamente sobre a minha cabeça, mesmo sabendo que sou a pessoa menos indicada para cuidar dessa difícil tarefa. Mesmo assim, vamos ao que sabemos.

O Sítio Pé do Morro localiza-se na margem direita do Rio Paramirim, próximo à Barragem do Zabumbão, ao sopé do Morro da Estrela, como o próprio nome indica. Dista menos de dois quilômetros da cidade de Paramirim. Pertence atualmente à família Vieira que o recebeu por herança repassada de geração a geração. Foi construído por Clemente Vieira de Assunção que viveu em meados do século XIX. Era casado com Luiza Joaquina de Magalhães, cuja genealogia nos dá conta que era neta do Capitão Antônio Ribeiro de Magalhães, fundador de Paramirim.

Na relação dos filhos deste casal, destacaram-se o Pé. Joaquim Augusto e o professor José Cândido Vieira. Através deste, o sítio foi passado a seu filho Júlio da Silva Vieira que por sua vez o deixou a seu descendente José Carmelino Vieira, pai dos atuais herdeiros.

Para melhor localização no tempo, lembramos que o professor José Cândido Vieira nasceu em 02 de janeiro de 1851. provavelmente no Sítio Pé do Morro, onde nessa época residiam seus pais. Faleceu em 24 de julho de 1929, portanto, com setenta e oito anos de idade. Seu nome se encontra perpetuado no primeiro prédio escolar da cidade de Paramirim. Contraiu dois casamentos. O primeiro deles com Elvira de Magalhães e Silva, o segundo com Julinda da Rocha Bastos Vieira, procriando com as quais um total de oito filhos.

Conta-se que no tempo do Pé. Augusto floresceu no Sítio Pé do Morro uma importante escola dirigida por este sacerdote, na qual se ministrava a alunos vindos de terras distantes o ensino de Latim, Gramática e outras disciplinas vigentes na época. No interior do seu principal casarão foi erguido um altar de madeira até hoje existente para as celebrações religiosas do referido sacerdote que também foi vigário de Paramirim e de Livramento de Nossa Senhora.

Lastimamos dizer que estas relíquias não se encontram bem conservadas e, como outras congêneres da cidade, podem entrar em estado de deterioração irreversível. Por se tratar de um patrimônio arquitetônico com evidentes marcas do passado, deveriam ser preservados como um bem púbico destinado à visitação turística com retorno econômico para uma instituição sem fins lucrativos.

A área onde se encontram erguidos forma um sítio paisagístico de singular  beleza natural por se localizar às margens do Rio Paramirim, tendo à sua frente a majestosa Barragem do Zabumbão, o Morro da Estrela e a Serra do Recreio. Seus horizontes são amplos. Possui energia elétrica, água tratada, meios de comunicação disponível, vegetação nativa e estrada asfaltada (BA-904). É um bom pedaço para quem ali pensa construir um balneário.

Lembramos também que na época da construção da Barragem do Zabumbão, parte desse sítio foi usada como canteiro de obras da Construtora Queiroz Galvão tornando o local bastante movimentado em função dos escritórios, oficinas e almoxarifados ali instalados.

Hoje, a propriedade denominada de Sítio Pé do Morro já se acha bastante dividida entre os herdeiros do Sr. José Carmelino Vieira. Algumas partes já foram vendidas, mas o frondoso jatobazeiro da beira da estrada continua intacto, como uma testemunha viva do seu passado. Suas terras são produtivas graças à irrigação proveniente do Rio Paramirim. Talvez, por isso, o dinâmico engenheiro da Queiroz Dr.  Antônio Malta, certo dia afirmou: “ Vocês moram num paraíso e não sabem”.

Publicidade

2 COMENTÁRIOS

  1. Professor Belarmino

    Sou descendente de “Vieira de Assumpção”, de Água Quente/Paramirim.
    E de também de “Rocha Bastos”, desde Rio de Contas.

    O senhor teria alguma outra referencia genealógica destas duas famílias?
    Ou poderia indicar algum contato com estes descendentes de Clemente Vieira de Assumpção?

    Agradeço

    José Vieira Rocha Jr
    São Paulo – SP

    • Olá!
      Baseado nos documentos que disponho posso lhe dar sólidas informações sobre as famílias “Vieira de Assumpção” e “Rocha Bastos”, segue o meu e-mail para contato [email protected]. Estou ao seu inteiro dispor.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui