Cartão postal do Rio Paramirim

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Cartão postal do Rio Paramirim
Balneário do Rio Paramirim

O Açude da Ponte sempre foi e continua sendo o ponto de maior concentração dos banhistas do Vale do Paramirim. Embora tenha perdido no decorrer dos anos um pouco de sua feição original, a velha estrutura de madeira que o compõe pereniza um bom trecho do rio à sua montante, garantindo o precioso líquido em qualquer época do ano.

Além de cartão postal da cidade, representa um braço forte para exploração das terras, alavancando a agricultura e a pecuária.

Inserido no perímetro urbano da sede municipal, atrai nos finais de semana e nos dias festivos centenas de visitantes de cidades vizinhas, polarizando-se assim o turismo regional. Seu entorno dispõe de uma infraestrutura privilegiada com áreas de estacionamento, água tratada, iluminação pública, vias de acesso pavimentadas, um complexo de piscinas, passarelas e uma passagem molhada sobre o Rio Paramirim. Tudo isso de forma sincronizada para garantir o bem estar e o lazer de seus frequentadores.

Sua história é muito antiga, remonta-se a época em que a cidade era um simples arraial, ou quem sabe, bem antes disso. A iniciativa de sua construção pertence aos primeiros proprietários das terras adjacentes, provavelmente, descendentes e herdeiros diretos da Fazenda do Arraial, da qual se desmembrou todas as glebas circundantes repartidas de geração a geração. Sua finalidade original era apenas o represamento das águas do Paramirim para finalidades agrícolas, a dessedentação dos rebanhos e o consumo humano.

Pelas suas derivações laterais são irrigadas por inundação várias propriedades, dentre as quais, os sítios, Mangueira, Caraíbas, Manga do Engrenho e Arraial de Baixo, onde se pratica o cultivo de frutas, hortaliças, legumes e cereais, além da criação de bovinos para o abate e a produção do leite.

No início da década de sessenta implantou-se o primeiro serviço de água enganada da cidade de Paramirim através de uma bomba elétrica instalada à sua montante. Em 1993, inaugurou-se o sistema de abastecimento integrado Paramirim – Botuporã com água captada no mesmo local. Daí a sua importância e a diversificação de suas finalidades de acordo às necessidades de seus servidores e os melhoramentos a ele acrescentados pelo poder público ao longo de sua trajetória.

O Açude da Ponte recebe esta denominação pelo fato de se ter construído à sua jusante uma pequena ponte de pedras e madeira, destruída por uma enchente no início do século passado. Pelo fato de se localizar perto do Sítio Caraíbas ficou também conhecido por “Açude de Seu Etelvino”, um antigo morador de suas adjacências. Outros chamam-no de “Açude do Rio da Rua”, talvez pelo fato de ser o mais próximo da cidade. Não importa o topônimo, o certo é que vou continuar falando Açude da Ponte, por achar a expressão mais significativa, associada ao nome de uma antiga companheira levada por uma enchente do rio.

Por falar em enchentes, não é do nosso conhecimento que ao longo de sua a história a força das águas tenha desmoronado a estrutura dessa represa, apesar dos impactos recebidos. Pudera! as fortalezas erguidas com troncos de aroeiras nos moldes dos antigos açudes do Paramirim competem na sua área em segurança com qualquer arquitetura moderna.

A partir dos anos noventa, o carnaval de Paramirim acrescentou ao seu circuito de rua mais uma opção de lazer. O Açude da Ponte passa a ser o “Point” do encontro dos foliões durante o dia para curtir a ressaca. Os administradores dos anos seguintes percebendo que a alternativa era satisfatória passaram a investir na sua infraestrutura construindo suportes para subsidiar a folia. Tanto é que em 1991, o Grupo Terra Nova foi contratado pela prefeitura ( administração de Joé Barbosa Leão ) para animar no período matutino os frequentadores do rio. Antes disso, tudo girava em torno do som mecânico, de acordo as possibilidades de cada um.

Com a conclusão da Barragem do Zabumbão em 1997, o Açude da Ponte revitalizou-se pois a perenidade do Paramirim se concretizou definitivamente, mantendo as represas rio abaixo sempre cheias. Com essa disposição, o lazer foi incrementado no seu entorno, o bairro Vila Nova ganhou forma, o comércio de bebidas e comidas típicas converteu-se em fonte de rendas e ocupações para muitas famílias.

Hoje não se fala mais em açudes. O que era represa virou balneário. O poço foi transformado em piscinas. O extenso platô constituído dos lajedos aflorados na beira do rio perderam as lavadeiras semanais. O joazeiro de Zé Ana desapareceu. Tudo agora virou palco dos encontros festivos, passarela dos biquínis, encontro de sons mecânicos, lugar de pitar um “cigarrinho”, de se tomar um drink, de se fazer um churrasco, de curtir a vida. O Açude da Ponte virou Balneário.

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