Bye, bye delegacia

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Fuga de presos da delegacia de Paramirim

O buraco que aparece na foto não é o oco de um caboré, nem muito menos o esconderijo de uma coruja. Também não é a toca de um tatu, nem tão pouco um mega formigueiro. Bem que poderia ser uma cratera aberta na Terra pela queda de um meteorito ou a boca de um extinto vulcão. Se não é a morada de um vivente,nem o rompimento do solo por um fenômeno da natureza, o que poderia ser, então?

Infelizmente, você errou mais uma vez. O que estamos vendo não é um buraco na foto, mas a foto do buraco por onde se evadiram na madrugada do último domingo, 13 de fevereiro, cinco prisioneiros da Delegacia de Polícia de Paramirim. Os detentos, após arrancarem o vaso sanitário da cela, escavaram um pequeno túnel, através do qual alcançaram o pátio do presídio, deixando para trás roupas, ferramentas e os vestígios da histórica operação subterrânea.

Entre os cinco fugitivos, estava o Ex- Secretário de Comunicação da Prefeitura de Macaúbas, José Glicélio Santos, de 26 anos, que foi preso no ano passado pela Polícia Federal em sua casa, localizada no povoado de Açude, com material pornográfico envolvendo crianças e adolescentes.

De acordo informações divulgadas pela Internet, além de José Glicélio, fugiram também Robson Silva Oliveira, André Rodrigues Costa Neto, Geraldo Rocha Lima e Samuel da Silva Lima (pai e filho), sendo os dois últimos, transferidos há poucos meses, da Carceragem de Livramento de Nossa Senhora, por questão de segurança.

Para tentar capturar os evadidos, policiais da 46ª CIPM estão fazendo buscas nos arredores de Paramirim e municípios vizinhos, sem, até o momento, lograrem êxito. Como diz o ditado sertanejo é melhor prevenir do que remediar. Correr atrás do prejuízo cansa mais do que tomar as providencias necessárias, antes do mal acontecer.

Mas esta não é a primeira vez que o Complexo Policial de Paramirim passa por situações semelhantes. Em 15 de agosto de 2003, menos de um ano após a inauguração do prédio, três perigosos bandidos fugiram espetacularmente de suas dependências, após renderem o carcereiro e intimidarem os demais encarcerados. O grupo dos foragidos era formado por Vagra, Galego e Nêgo Dé. Em primeiro de maio de 2008, outros quatro prisioneiros, dentre eles um menor, também deram nos calos, aproveitando-se do momento em que o agente de plantão saíra, para atender uma diligência externa, segundo noticiou a imprensa.

O pior de tudo aconteceu em 19 de novembro do citado ano, quando outros quatro prisioneiros que estavam na Delegacia atearam fogo nas suas dependências. As chamas destruíram motocicletas e máquinas caça-níqueis que se encontravam custodiadas no prédio. O fogo só foi apagado com a ajuda de alguns voluntários, mesmo assim, o imóvel ficou parcialmente destruído, obrigando a transferência dos detentos para a delegacia de Livramento.

Esses acontecimentos, ocorridos na calada da noite, demonstram a esperteza dos seus protagonistas e a fragilidade do sistema de segurança pública mantido pelo Estado, nas pequenas cidades do interior. Além do mais, a qualidade da vigilância mantida nos cárceres deixa muito a desejar. Às vezes, pessoas despreparadas para este ofício tornam-se coniventes com os detentos, facilitando direta ou indiretamente a maioria das fugas.

O que nos resta é lamentar. Sugerir não adianta. Criticar pior ainda. Fugas de presos de alta periculosidade têm acontecido até mesmo nos presídios de segurança máxima. Não é o frágil sistema de Paramirim que vai servir de exceção. A legendária Cadeia de Rio de Contas, além das torturas aplicadas, possuía paredes inexpugnáveis e grades com estruturas absurdas, mesmo assim, testemunhou uma fuga memorável. Enquanto houver bandidos, haverá prisões. Enquanto houver presídios, haverá fugas.

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